Há uma coisa que aprendi quando estive no Exército, nos idos da década de 1980, mais precisamente em 1986, quando servi no 1º Regimento de Carros de Combate (1º RCC), no Rio de Janeiro, sob o comando do então Capitão de Cavalaria Braga Netto.
Ele costumava dizer algo que, com o passar dos anos, tornou-se para mim uma verdadeira lição de vida: no Exército havia homens de muita coragem e homens de muita inteligência. E esses dois atributos nem sempre estavam reunidos na mesma pessoa.
Essa constatação não se restringe aos quartéis. Ela também se aplica à sociedade.
Braga Netto reforçava a importância da hierarquia, da disciplina e, principalmente, da liderança. Os homens verdadeiramente corajosos precisavam reconhecer e seguir aqueles que possuíam inteligência, conhecimento e capacidade para conduzi-los. Afinal, coragem sem direção pode se transformar em imprudência; inteligência sem coragem pode se tornar mera teoria.
Uma organização forte precisa saber unir essas duas forças.
O problema é que, quando olhamos para os dias atuais, muitas vezes encontramos justamente o contrário: autoproclamados líderes que não demonstram a inteligência necessária para liderar e indivíduos que se apresentam como bravos, mas que desaparecem ou desmoronam diante do primeiro sinal de perigo ou dificuldade.
E aí está o grande problema.
Não basta ter coragem para enfrentar uma batalha. É preciso saber qual batalha enfrentar, quando enfrentá-la e, principalmente, quem possui capacidade para conduzi-la.
Da mesma forma, não basta alguém ocupar a posição de líder, falar alto ou reunir seguidores. Liderança não se autoproclama. Liderança se conquista pela capacidade, pelo exemplo, pelo conhecimento, pela responsabilidade e pela disposição de assumir as consequências das próprias decisões.
É preciso, portanto, resolver essa equação.
Quando homens verdadeiramente corajosos estiverem dispostos a seguir uma liderança verdadeiramente inteligente — e quando aqueles que se apresentam como líderes demonstrarem, de fato, inteligência, preparo, disciplina e capacidade de comando — teremos novamente uma combinação poderosa.
Coragem para agir. Inteligência para decidir. Disciplina para executar. E liderança para conduzir.
Foi uma lição que aprendi dentro de um quartel em 1986. Quarenta anos depois, continuo acreditando que ela permanece perfeitamente atual.
Ajoia Brasil Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados