No dia 4 de outubro, participei da Santa Missa na Igreja Nossa Senhora Aparecida, no bairro Floramar, em Belo Horizonte. O que deveria ser um momento de fé e recolhimento tornou-se um momento de constrangimento e desrespeito aos fiéis.
Na homilia, o diácono responsável pela celebração referiu-se a Jesus Cristo como o maior pedagogo da história, afirmação com a qual concordo plenamente. O problema foi o complemento: afirmou que “depois de Jesus Cristo vem Paulo Freire”.
Não é possível aceitar que o púlpito de uma igreja católica seja usado para ativismo político.
Paulo Freire é um ativista político de esquerda, alçado a “patrono da educação brasileira”. Depois de décadas de governos de esquerda que adotaram seu método como norte, o Brasil continua ocupando as últimas colocações nos rankings internacionais de educação. Não é honesto, nem justo, colocar Paulo Freire “depois de Jesus” como um dos maiores pedagogos da história diante de fiéis que foram à missa em busca da Palavra de Deus, e que nem todos têm o discernimento para separar doutrina de ideologia.
Ativismo político
Mas não foi só isso. Ao final da missa, antes da bênção final, enquanto uma senhora dava os avisos paroquiais para a próxima semana, o mesmo diácono retirou o celular do bolso e ficou passando o dedo na tela, verificando mensagens. Uma falta total de respeito com a assembleia, com o momento sagrado e com a própria liturgia.
No final da missa eu fui até ele na saída da igreja e perguntei, de forma cordial e educada, se ele era adepto da “teologia da libertação”. Ele me perguntou do que se tratava “isso”. Fiquei decepcionada com a indagação, porque quem promove ativismo político com fortes mensagens subliminares são justamente religiosos seguidores de linhas como a do ex-frei Leonardo Boff.
Disse a ele que fiquei muito surpresa com sua homilia citando Paulo Freire como “um grande educador” depois de Jesus Cristo. A conversa foi cordial, mas ainda assim saí duplamente desrespeitada, por ser uma fiel que foi buscar alimento espiritual e por ver tal comportamento dentro da nossa Igreja.
A Igreja precisa de evangelizadores, não de militantes. Precisa de respeito, não de distração com celular no altar.
Espero que a Paróquia e a Arquidiocese de Belo Horizonte orientem seus ministros para que episódios como esse não se repitam.
Ajoia Brasil Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados