o rei esta nu
Neste período eleitoral vemos como os reis desnudos estão passeando sem roupa (Foto: Imagem Gerada por IA)

O Rei está nu… Ou seriam outros?

Observando o universo brasiliano, onde estrelas cintilam sobre nossas cabeças, e mais propriamente, ali no chamado “Triângulo das Bermudas Brasiliana”, também conhecido como Praça dos Três Poderes, podemos observar, como ocorre no seu similar, fatos estranhos ocorrem com uma naturalidade que assusta e impressiona a qualquer ser mortal deste planeta, visto que ali, a impressão que temos é que não residem os três poderes da República e sim os Deuses do Olympus, seres poderosos e que se protegem contra os meros mortais, manipulando suas vidas e brincando com elas a seus bel-prazeres.

Por que essa alusão aos Deuses do Olympus? Porque mesmo sendo Deuses eles eram falhos, possuíam fraquezas de caráter, tinham defeitos iguais aos humanos e ainda assim exigiam que fossem venerados. Zeus era um traidor de sua esposa, tendo casos com diversas mulheres, deusas e humanas, gerando semideuses que também tinha erros humanos. Ares era um Deus da Guerra descontrolado, que matava e possuía prazer em fazer isso. Hera, por ciúmes para dar o troco a seu marido Zeus que havia gerado Atenas sem sua participação, gera Hefesto, feio, malformado e que é lançado do Monte Olympus, descartado pela deusa. E poderia seguir o dia inteiro falando dos Deuses, mas como o assunto são humanos brasilianos vamos voltar ao foco e poder então fazer o sentido com relação a estas comparações.

Não há poder no mundo que exista eternamente, isso a História nos mostra, e neste período eleitoral vemos como os reis desnudos estão passeando sem roupa, e todos, por medo, elogiam as lindas vestes dos Reis, sem ter aparecido ainda aquela emblemática criança do conto de Hans Christian Andersen, que desmente a todos e mostra claramente que o “Rei está Nu”.

Observando os fatos que surgem como um todo, podemos citar aqui alguns pontos que chamam a atenção de qualquer um ser com pelo menos dois neurônios funcionais: Caso Master, Presidente da República atual, STF, Presidente do Senado, Procurador Geral da República, filho do presidente, esposa de ministro, pane em avião que levaria ministro, incêndio na casa de ministro, documentos falsos para incriminar pessoas de outra gestão etc. etc. etc… Ficaríamos aqui, novamente, dias e dias (não o Toffoli, claro), enunciando pontos que se emaranham e interligam e chegaríamos a uma conclusão simples: toda “Pizza” gerada nos três poderes, some, no Triângulo das Bermudas Brasiliana.

Como podemos acreditar num conjunto de instituições que se blindam contra o povo e a nação em prol de si próprio? Como podemos acreditar em cargos que deveriam defender o povo e a nação, mas que se armam contra elas? Como podemos acreditar em coisas justas quando a justiça e distorcida para defender interesses próprios e não, da maioria? Ao buscarmos entender tudo isso chegamos a simples conclusão que a Ciência Política denomina Cleptocracia, retirado do Michaelis on line – Sistema político em que a corrupção em relação ao dinheiro público é tolerada ou admitida.

Um presidente que declara que fará o diabo para vencer no primeiro turno, assusta, menos pelo DIABO, mais pela permanência dele na presidência ou que descaradamente, mente em uma apresentação em um Jornal televisivo, quando perguntado sobre uma suposta pessoa que tem envolvimentos com seu filho, sobre benefícios próprios à esta pessoa e o dito filho e em rede nacional diz que nunca a viu, e nem conhece a referida pessoa, mas os fatos e fotos mostram exatamente o contrário.

Um ministro do supremo que está no olho do Furacão “Master”, que está girando sobre Brasília, mostrando não só a fragilidade do fato de sua esposa ter um contrato milionário com o dono do dito furação, como também ter sido apresentado indícios de que o próprio ministro tenha editado o referido contrato.

Um procurador geral da República que para não expor o filho de um presidente da República, defende a retirada do julgamento deste das mãos do STF, por ele não ter Foro Privilegiado, mas não contestou o julgamento de milhares de civis e de um ex-presidente que já não tinha mais Foro Privilegiado, por este mesmo STF ou ainda questionar outro ministro do STF sobre investigação do ministro do STF que está no olho do Furação “Master”.

Um ministro que tem sua casa sinistrada por um incêndio e outro que por pouco não sofreria um “acidente aéreo”, quando isso nunca ocorre ou ocorreu com os outros oito, diferente apenas que, estes, na sua maioria, foram indicados pelo atual partido político que está na presidência da República.

Um presidente do Senado, que mesmo tendo todos os indícios de que um ministro do STF comete erros que, legitimamente o levariam a um Impeachment, se nega a pautar um dos diversos pedidos protocolados pelos senadores contra este e outros ministros do STF.

Continuaria a apresentar fatos e fatos aqui por dias e dias (e ainda não é o Toffoli), e chegaríamos à conclusão mínima de que as blindagens ocorrem e continuam a ocorrer no centro do poder em Brasília, e em nenhum dos casos o beneficiado é o Povo ou a Nação e sim um grupo. Dai começamos a ter a real visão de que não estamos numa Cleptocracia, mas num governo “Cleptocrata Oligarca”.

A culpa está em quem? No povo? Observemos a palavra de um Rei, o do futebol: “O povo brasileiro ainda não está em condições de votar por falta de prática, por falta de educação e ainda mais porque se vota, em geral, mais por amizade nos candidatos.” Daí observarmos as expressões que surgem quando falamos de políticos: Pai dos Pobres, Painho  ou “01”, Filho do Capitão. Atendo apenas aos dois com condições de eleição. O Povo não vota nas propostas, mas, nas promessas, como a malfadada picanha com cervejinha que, parafraseando Charles Perrault, a meia noite se transformou numa Abóbora, literalmente.

Pelé queria alertar que o Povo Brasileiro não tinha a prática de eleição, o que é uma realidade até hoje, visto que durante todo o Período da República das Bananas do Brazil, nossas eleições sempre foram para beneficiar poderosos e não ao povo. Se formos ao site “Turminha do MPF”, site do próprio Ministério Público Federal temos a seguinte frase que é um verdadeiro contrassenso: “O voto no Brasil é obrigatório e um direito de todo cidadão brasileiro acima de 16 anos.” Como algo que é obrigatório é um direito?

Para exemplificar o fato de o povo “não saber votar”, como ficou pontuado como a fala de Pelé, observamos em nossa história essa prática: No Império era o Voto Censitário, só quem tinha posses poderia votar. Na República Velha era o Voto de Cabresto, onde todos que votavam, eram induzidos ao voto pelos “Coronéis”. Na República Tenentista o voto se torna secreto, porém menores de 21 anos, mulheres, analfabetos, mendigos, soldados rasos, indígenas e integrantes do clero estavam impedidos de votar. Em 1934, passamos a ter a primeira eleição com a participação das mulheres como eleitoras, interrompidas em 1937 até 1945 pela Ditadura Varguista.

Em dezembro de 1945, Dutra é eleito Presidente com 54,2% dos votos, porém, as cédulas só tinham um nome de candidato e foram distribuídas pelo próprio partido político, só em 1955 que a Justiça Eleitoral tomou para si a confecção das cédulas e passou a exigir foto nos títulos eleitorais.

De 1955 até 1964, tivemos um período eleitoral conturbado: a volta de Getúlio em 50, trazendo mais uma vez a prática de votar nos conhecidos e não nas propostas, inclusive com o famoso Jingle de Haroldo Lobo eternizado na voz de Francisco Alves, o Rei da Voz: “Bota o retrato do Velho outra vez, bota no mesmo lugar, o Sorriso do Velhinho faz a gente trabalhar”. Depois, JK, que necessitou da intervenção do Marechal Teixeira Lott para ser empossado. Jânio Quadros, que recebeu votação maciça não pode ser excelente, mais por ser Populista e popular, com suas roupas amarrotadas, fala embolada e sanduiches de mortadela nos intervalos de comício.

Em 1964 com o controverso governo Jango, diante da aproximação dos países comunistas China, Cuba e URSS, forças populares, manifestações com milhares de pessoas, posicionamento das instituições conservadoras do Brasil, levaram o mesmo Olímpio Mourão Filho, que como capitão foi o autor do Plano Cohen, que criou a ditadura Varguista, a se movimentar, agora como general, para derrubar o governo pró-esquerdista de Jango, que ele mesmo havia apoiado antes. Iniciando, com isto, um governo militar que duraria 21 anos, onde, em sua duração não se votava para Presidente da República, Governadores de Estado, Prefeitos de Capitais e Cidades estratégicas e tendo apenas dois partidos, Arena e MDB. 21 anos onde os eleitores continuaram a ter seus votos direcionados as mesmas pessoas de sempre, não obstante termos deputados com anos de mandato, por serem os únicos a serem indicados para eleições, e sem contar que o Senado, a partir do Pacote de Abril em 1977, passa a ter um terço dos senadores escolhidos por colégios eleitorais nos estados, formados por assembleias e câmaras municipais controladas pela Arena (partido do governo).

Com o Fim do Governo Militar, a última eleição indireta para presidência, vencida por Tancredo Neves, que ganhou, mas não levou, acabando o cargo caindo nas mãos do dono do Maranhão, José Ribamar, ou Zé do Sarney, depois José Sarney, governo malfadado, que em busca de redenção faz quatro planos econômicos dos oito para conter a Hiperinflação que corroía o pais, marcado por corrupção, nepotismo, superfaturamentos, deixou o país numa situação caótica, porém levando em consideração o cerne da matéria, teve seu momento de proximidade com o Povo quando acabou instituindo os Fiscais do Sarney, onde a população fazia o papel de ficais do governo no chamado Plano Cruzado, que não deu certo.

Daí para frente o que vemos é a política antes apenas Oligarca, tornar-se aos poucos Cleptocrata Oligarca. Ascende ao poder Collor de Mello, retirado antes do final de seu mandato no primeiro Impeachment feito no Brasil, mas que foi eleito, pelo povo como sendo o Jovem Governador Caçador de Marajás. Mas uma vez o povo não vota em propostas, mas sim em promessas. Seguido por Itamar Franco, que vai aparecer como o presidente do Plano Real, e com este plano, que conseguiu reter a Hiperinflação no Brasil, elegeu Fernando Henrique Cardoso, Ministro da Fazenda na época e que acabou eleito pelo êxito do Plano Real, plano que conteve uma inflação acumulada 1965 até 1994, de aproximadamente 1.142.332.741.811.850% (IGP-DI).

A partir dai a história se torna conhecida de todos: dois mandatos de FHC, dois mandatos de Lula, um mandato completo de Dilma e um interrompido por Impeachment, mandato tampão de Temer, um mandato de Bolsonaro e o atual de Lula. Dentre todos os mandatos apresentados, vamos observar o crescimento de ações sociais que trouxeram para o povo Benesses Sociais como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, Auxílio Gás, Pé de Meia, Tarifa Social de Energia Elétrica, Tarifa Social de Água e Esgoto, Minha Casa, Minha Vida, entre outros, porém, em nenhum momento foram criados planos de emprego para a população, sendo desta forma, a população de baixa renda mantida sob a tutela do Estado, e por medo de perder tais benefícios, acabam sendo mantidos como reféns dos poderes instituídos, assim como os eleitores, na época do Coronelismo, presos ao voto de Cabresto.

Observamos que a conscientização da importância do Voto é mais fundamental que o voto em si, pois, votar, qualquer um vota, porém saber em quem e como deve dar o voto, passam por uma conscientização, que o atual governo não deseja que ocorra com a população brasileira. Manter a população presa a miséria, com benefícios pífios dados pelo governo, é uma arma que a esquerda entende, ser a forma de se manter no poder.

Cooptar e agregar as instituições, que deveriam defender o povo e a nação, para que defendam o atual modelo de Establishment “Cleptocrata Oligarca” e com isso perpetuarem-se no poder é um Modus Operandi da esquerda brasileira, que corrompe até mesmo outros lados da política como, principalmente o Centrão, visível na colocação de candidatos, que estão ali apenas para retirada de votos do candidato que tem a possibilidade de competir com o atual presidente na corrida pela cadeira presidencial.

Desnudar o Rei, é uma necessidade preemente e urgente para que possamos, não só mostrar a todos que o sistema está ruido e carcomido, como tentar mudar a estrutura de poder, que mantém o povo na sua ignorância, como todos os súditos do Rei de Andersen.

Deixo como pergunta final, quer ser o súdito? Ou a criança?

Pronto Falei.

Tenho dito.

Sobre Luiz Gustavo Chrispino

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Jornalista, Historiador, e Professor de História e Geografia

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