Presidente da Abrasel, Paulo Solmuci
Para Solmuci, a sociedade tem o direito de conhecer não apenas os benefícios apontados pelos defensores da proposta, mas também os custos que ela pode gerar (Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado)

Abrasel defende aprofundamento do debate sobre escala 6×1 no Senado

Entidade destaca importância do cumprimento dos ritos parlamentares e afirma que a sociedade precisa conhecer com clareza os impactos econômicos e sociais da proposta antes de qualquer decisão

A proposta que altera as regras da jornada de trabalho e prevê o fim da escala 6×1 volta a ser pauta das discussões no Senado. Para a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), o momento exige serenidade, responsabilidade e amplo debate sobre as consequências da medida para trabalhadores, consumidores e empresas.

A entidade considera fundamental que o Congresso Nacional aprofunde a discussão e amplie o conhecimento da sociedade sobre os custos, desafios e impactos envolvidos em uma mudança dessa magnitude. Para a Abrasel, decisões que afetam milhões de empregos e o funcionamento de setores essenciais não podem ser conduzidas por interesses eleitorais ou circunstâncias políticas de curto prazo.

Nesse contexto, a associação destaca a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao reforçar a importância do cumprimento dos ritos legislativos e da construção de um debate qualificado sobre o tema. A avaliação da entidade é que o Parlamento tem o papel de ouvir todos os segmentos da sociedade, analisar estudos de impacto e buscar soluções equilibradas antes de deliberar sobre alterações permanentes na legislação trabalhista.

“A sociedade tem o direito de conhecer não apenas os benefícios apontados pelos defensores da proposta, mas também os custos que ela pode gerar. Seria inaceitável que interesses eleitorais ou pessoais se sobrepusessem aos interesses do país. O Congresso tem a responsabilidade de conduzir esse debate com profundidade, transparência e visão de longo prazo. Devemos investigar, por exemplo, por que nenhum outro país do mundo proibiu a escala 6×1 por lei”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.

Segundo a entidade, setores que dependem de funcionamento contínuo, como alimentação fora do lar, comércio, turismo, saúde e transporte, podem enfrentar desafios relevantes caso mudanças na escala sejam implementadas sem planejamento adequado.

Estudos e análises reunidos pela Abrasel apontam que alterações na organização do trabalho podem elevar custos operacionais, exigir novas contratações em um cenário já marcado pela escassez de mão de obra e impactar a oferta de serviços à população. A entidade avalia que serviços essenciais correm o risco de enfrentar aumento de custos e deterioração da qualidade da oferta, uma vez que muitas atividades dependem de escalas específicas ou contínuas para manter níveis adequados de atendimento e funcionamento.

 

 

Abrasel apoia os trabalhadores

A Abrasel reforça que apoia iniciativas voltadas à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, mas defende que qualquer transformação seja construída de forma gradual, baseada em dados, produtividade e diálogo entre trabalhadores, empresas e representantes da sociedade.

Para Paulo Solmucci, o desafio não é escolher entre avanços sociais e desenvolvimento econômico, mas encontrar um caminho capaz de conciliar ambos.

“O Brasil precisa discutir o futuro do trabalho. Mas isso só será possível com informação de qualidade, análise dos impactos e respeito ao processo democrático. Também é preciso avaliar os efeitos econômicos de uma mudança dessa magnitude implementada em prazo tão curto. Um choque de aumento dos preços dos serviços em um intervalo de apenas 60 dias pode pressionar a inflação, levar à adoção de juros mais elevados para contê-la e provocar uma desaceleração da atividade econômica, com risco de recessão. Quanto maior for o conhecimento da sociedade sobre o tema, melhor será a decisão que o país tomará”, conclui.

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