A missão definida pela finalidade e a transformação progressiva da consciência
Um novo Norte
Fazia dois anos que eu havia deixado a farda, depois de comandar um batalhão de infantaria.
Era um tempo estranho. Eu continuava acordando cedo e, por força do hábito, quase saía procurando o barbeador, o paninho de limpeza de fivelas e a graxa dos sapatos.
Não posso dizer que houvesse vazio dentro de mim. Eu sabia que tinha construído coisas importantes, dentro e fora do meu coração. Mas reconhecia, ainda que a contragosto, certa inquietação causada pela falta de finalidade pessoal mais clara.
Resolvi estudar.
Numa universidade.
Como seria voltar aos bancos escolares aos cinquenta e poucos anos para aprender coisas contemporâneas? Como reduzir o coronel — sem apagá-lo — e permitir que ali brotasse um aluno de pós-graduação?
Na entrevista de admissão, um professor me perguntou:
— Por que o senhor deseja investir em um curso stricto sensu, numa área tão inovadora como a Engenharia de Produção, depois de uma carreira bem-sucedida num campo profissional tão diferente como o militar?
Respondi com sinceridade:
— Aprendi, entre outras coisas, a marchar, atirar e eliminar inimigos do meu país da maneira mais econômica e rápida possível. Isso tem pouca serventia hoje fora dos quartéis e já não combina inteiramente com a minha maneira atual de pensar. Gostaria de aprender as ferramentas do mercado para trilhar novos caminhos.
Fui admitido no programa de pós-graduação. Afundei na cabeça o gorro imaginário de aluno e iniciei outra travessia.
O projeto inicial era cursar o mestrado, mas, pela amplitude e pelo ineditismo da pesquisa, logo migrei para o doutorado.
As dificuldades não demoraram a surgir. Meu tema era a inteligência empresarial, campo ainda pouco conhecido no Brasil. Naquele tempo, os assuntos de inteligência eram tratados quase exclusivamente como prerrogativa do Estado.
Tive dificuldade para encontrar um orientador realmente familiarizado com o assunto. Em muitos momentos, carreguei a sensação desconfortável de conhecer mais sobre aquele território específico do que as próprias pessoas encarregadas de me orientar.
Eu não precisava apenas desenvolver um tema praticamente inédito no ambiente acadêmico brasileiro. Precisava também explicar seus fundamentos e convencer meus interlocutores da validade de certezas técnicas acumuladas durante a vida profissional.
Por se tratar de assunto cercado de mistério e, em certos ambientes, associado a uma moral militar própria, minha pesquisa despertava curiosidade no campus. À curiosidade, por vezes, somava-se a suspeita de que um coronel com longa passagem pela área de inteligência militar pudesse carregar comprometimentos ligados aos governos militares.
Cheguei também a perceber, com bastante clareza, a preocupação do próprio sistema de inteligência do Exército sobre meu projeto de tese. Havia o receio de que doutrinas, fatos ou situações considerados sigilosos naquela época pudessem ser levados e discutidos em ambiente acadêmico.
Os obstáculos foram sendo superados ao longo daqueles quatro anos, e os créditos acadêmicos, conquistados.
A tese foi concluída, defendida e aprovada.
O doutorado estava conquistado.
Mas aquele diploma não representava apenas o fim do curso nem constituía fim em si mesmo. Indicava o surgimento de novo Norte a ser perseguido.
Pouco depois, fui contratado como professor do ensino superior.
E assim segui durante os dez anos seguintes na mesma universidade, até estrear no ambiente empresarial privado.
Quando deixei a farda, eu não sabia exatamente qual estrada encontraria. Compreendia apenas que precisava continuar caminhando.
A universidade não me entregou novo mapa completo. Mostrou-me as nuances de outro terreno, suas dificuldades, oportunidades e ameaças, e colocou novas ferramentas em minhas mãos. O restante precisou ser construído ou descoberto durante a marcha.
Talvez tenha sido ali que compreendi, ainda sem formular claramente, que o novo Norte não elimina tudo o que fomos. As habilidades recém-adquiridas não precisam expulsar as antigas; podem incorporá-las, depurá-las e colocá-las a serviço de versão mais ampla de nós mesmos.
Enfim, um novo Norte reorganiza o que fomos para que possamos continuar sendo — mas de outra maneira, talvez mais inteiros.
Foi também dessa marcante travessia que nasceu, muitos anos depois, a pergunta que atravessa estas páginas.
Há algum tempo me questiono por que determinados temas insistem em reaparecer no que escrevo.
Confiança. Liderança. Instituições. Adocicar o coração. Discernimento. Responsabilidade. A estrada de Emaús. Os Tigres-Dente-de-Sabre. Onde colocar minhas pérolas. E quem sabe mais o que já passou pela minha telinha…
À primeira vista, parecem assuntos independentes. Talvez nunca tenham sido.
Talvez todos procurem responder, por veredas diferentes, à mesma pergunta:
Como orientar a própria existência durante uma travessia cujo mapa completo nunca nos foi entregue?
Seria quase como receber esta orientação: “Vá. Observe. Escolha. Resolva.”
A existência muitas vezes exige decisões antes que compreendamos totalmente o terreno sob nossos pés. Precisamos agir enquanto ainda enxergamos apenas parte dele, apenas um ângulo. E sempre surge a pergunta do batedor que avança à frente da tropa: o que haverá depois da próxima curva, além dos próximos morros?
Talvez seja por isso que o ser humano procure tanto o sentido das coisas que carrega e considera importantes, das situações que atravessa, da vida que vive e do Universo que o impressiona. Não por gosto de abstrações, mas porque precisa escolher uma direção digna sem possuir todas as respostas.
A travessia
Talvez nossa existência seja menos determinada por destino inteiramente soprado de cima e mais construída numa travessia imprevisível. Não uma caminhada aleatória, nem roteiro detalhadamente gravado.
Uma travessia. Como quem precisa cruzar um rio sinuoso sem que alguém lhe diga exatamente onde entrar na água.
Alguns escolhem o ponto aparentemente mais curto, mesmo com água pela cintura e correnteza mais forte. E se arriscam. Outros preferem caminhar um pouco mais até encontrar um trecho raso, onde a água não passa das canelas. A decisão não depende apenas da distância ou do tempo gasto até encontrar a passagem menos perigosa. Depende do terreno das margens, dos riscos do curso d’água, das habilidades de transposição e da finalidade da travessia.
Recebemos tempo. Desenvolvemos capacidades. Encontramos limitações que condicionam nossa liberdade de ação. Buscamos companhias e apoios de jornada. Divisamos sinais, mesmo sem compreender todos. E seguimos caminhando.
Cada etapa suscita perguntas diferentes. Cada dúvida exige respostas próprias. A finalidade pode permanecer; os meios amadurecem e mudam.
A missão definida pela finalidade
Na vida militar, aprendi conceito que sempre considerei extraordinário: a missão definida pela finalidade.
O comandante não descreve cada passo nem fornece algoritmo completo ao expedir a ordem. Explica o efeito que precisa ser alcançado, confia e compartilha a responsabilidade pela execução.
O subordinado recebe margem de liberdade para aplicar a tática e os meios mais adequados às circunstâncias. Essa liberdade não representa abandono. Representa confiança.
Quem recebe uma missão dessa natureza precisa observar com atenção, interpretar o que percebe, discernir, decidir, agir e fazer acontecer.
A ordem é necessariamente incompleta. Nenhum comandante consegue antecipar todas as mudanças do terreno, as intervenções do oponente, os imprevistos e as oportunidades que surgem à frente. O discernimento complementa aquilo que as instruções não poderiam esclarecer de antemão.
Missão assim exige muito mais do que obediência. Exige compreender claramente a intenção, adaptar os meios às circunstâncias e preservar o efeito a alcançar. Se isso é eficaz numa operação militar, talvez guarde semelhança com a própria existência.
Talvez não tenhamos recebido um roteiro completo porque a finalidade não seja formar simples executores, mas consciências capazes de responder com liberdade e responsabilidade a cada situação encontrada.
O GPS e a bússola
O Sistema de Posicionamento Global, conhecido pela sigla GPS, identifica nossa posição e sugere rotas até um destino. Resolve com precisão o problema de localização e, muitas vezes, entrega o caminho mais conveniente.
A bússola oferece muito menos. Preserva apenas referência de direção. Não revela a estrada, os obstáculos nem o melhor ponto de ultrapassá-los.
Quem possui uma bússola precisa observar e compreender o terreno, interpretar circunstâncias, reconhecer riscos, corrigir a rota quando surgem incertezas e aprender durante a progressão.
O GPS ensina a chegar. A bússola, como tutor silencioso, ensina a caminhar na direção escolhida apesar de tudo o que possa acontecer durante a travessia.
Talvez Deus não tenha colocado um GPS dentro de nós. Talvez tenha colocado uma bússola: menos confortável, porém muito mais formadora.
A velha narrativa de Mensagem a Garcia, ensaio publicado por Elbert Hubbard em 1899, acrescenta algo importante a essa imagem. No relato de Hubbard, o tenente Andrew Rowan recebe a missão de levar mensagem do presidente William McKinley ao general cubano Calixto García, em Cuba, sem dispor de roteiro detalhado para encontrá-lo. Mais do que o episódio histórico, permaneceu a imagem de alguém que compreende a finalidade recebida e se dispõe a cumpri-la com iniciativa e responsabilidade.
Bússola na mão não dispensa iniciativa, atitude e senso do dever. Quem compreende a finalidade não espera que cada obstáculo venha acompanhado de nova instrução. Procura passagem, assume a parte de responsabilidade que lhe cabe e preserva a missão sem transformar autonomia em indisciplina. A direção orienta; a prontidão faz caminhar.
Liberdade
Nessa perspectiva, nosso livre-arbítrio deixa de ser apenas privilégio. Passa a ser condição da missão existencial, da travessia.
Sem liberdade existiria apenas execução de determinações. Sem escolha não caberia responsabilidade ao agente. Sem responsabilidade dificilmente se desenvolveria a consciência moral de quem escolhe.
Neste ensaio, consciência não significa apenas estar desperto ou perceber a própria existência. Refere-se à capacidade interior de avaliar motivos, finalidades, meios e consequências; reconhecer a dimensão moral das escolhas; e responder pelo tipo de pessoa que cada decisão ajuda a formar.
Talvez o desenvolvimento dessa consciência seja, afinal, uma das finalidades mais altas da vida inteligente: não apenas saber mais ou poder mais, mas aprender a escolher melhor.
Mas liberdade não basta. Ela pode ser utilizada para construir ou destruir, fazer avançar ou regredir, servir ou desservir. Por isso, a liberdade exige discernimento.
Discernimento
A inteligência humana costuma perguntar:
Como fazer?
A consciência vai mais longe e acrescenta:
Por que fazer? Vale a pena? Que custo tem? A quem isso serve? A finalidade se mantém digna?
Talvez aí possamos traçar distinção importante entre inteligência e consciência. A inteligência encontra meios de fazer. A consciência examina a dignidade das finalidades, a legitimidade dos meios e as consequências previsíveis das escolhas. Uma amplia a capacidade de agir; a outra procura orientar moralmente essa capacidade. Juntas, aproximam competência e sentido.
Mensagem, intenção e percepção
Qualquer missão ou orientação recebida envolve pelo menos três aspectos importantes: o que foi dito, a intenção de quem a formulou e a percepção de quem a recebeu.
Mensagem não é apenas aquilo que desejamos transmitir. Na prática, ela também se torna aquilo que o outro consegue ou quer compreender.
É possível cumprir literalmente as palavras de uma determinação e trair a sua intenção. Também é possível formular corretamente uma ideia e produzir um efeito completamente diferente daquele que se desejava. O avião nasceu do desejo humano de voar, mas logo foi convertido em instrumento de guerra. A energia contida no átomo foi inicialmente canalizada para artefatos de grande destruição, mas logo serviu para iluminar cidades. Entre a criação, a intenção e o emprego existe sempre o território decisivo da consciência.
Discernimento consiste, muitas vezes, em compreender e acolher o espírito da missão, o seu sentido, e não apenas as palavras que procuram dar forma a uma intenção.
A oficina
Talvez a vida se pareça menos com interminável escada de degraus previsíveis e mais com oficina cheia de bancadas e instrumentos de transformação.
Não somos colocados diante da montanha para escalá-la de uma só vez. Recebemos, a cada etapa, uma pedra dela para transformar.
Às vezes, essa pedra traz uma responsabilidade que não podemos adiar. Outras vezes, uma perda que precisa ser acolhida, um trabalho que exige mais atenção, uma convivência difícil, uma oportunidade inesperada ou uma decisão cujo peso não pode ser transferido. Cada circunstância chega em estado bruto — e, por vezes, camuflada. Cabe-nos reconhecer o que ela pede, escolher os instrumentos apropriados e trabalhar sobre ela, sabendo que, enquanto a transformamos, também somos transformados.
Burilamos e aprendemos. Quando terminamos, outra pedra já ocupa a bancada: mais delicada, mais trabalhosa e, por isso mesmo, também mais transformadora de nós mesmos.
A recompensa principal nunca esteve apenas no redesenho da pedra. Sempre esteve, sobretudo, na transformação do escultor.
Cada pedra se transforma menos do que o escultor que a modela.
Prazer e dor
Sentimentos de prazer e dor acompanham a travessia. Nenhum, por si só, aponta necessariamente para o Norte.
Há prazeres que fortalecem. Outros apenas distraem ou enganam. Há dores que ensinam. Outras apenas machucam ou limitam.
Ambos precisam ser interpretados.
Prazer e dor condicionam, quando menos, o ritmo, o humor e a disposição da caminhada. A finalidade preserva a direção.
Nortinhos, Nortes e o Nortão
Talvez não exista apenas aquilo que denominamos Norte. Há diferentes escalas dessa referência em nossa existência.
Há nortinhos: as responsabilidades de agora, de já, de hoje.
Há Nortes: os objetivos e as finalidades de cada fase da existência.
E há, com certeza, um Nortão: a direção maior e definitiva da vida, capaz de orientar os Nortes de cada fase e, por meio deles, dar sentido aos nortinhos de cada dia.
Possivelmente, um dos maiores problemas da vida não esteja em perseguir muitos objetivos, simultânea ou sucessivamente, mas em não conseguir alinhá-los ao Nortão.
Os nortinhos deveriam servir aos Nortes. E os Nortes deveriam apontar para o Nortão.
Quando esse alinhamento forma uma fieira, talvez nos aproximemos daquilo que chamamos de propósito da vida. O sentido nasce da coerência entre o que fazemos hoje, o que buscamos em cada fase e a direção maior que escolhemos servir.
Instituições
Pessoas podem distrair-se na caminhada e desconectar-se de um Norte. Outras podem abandoná-lo conscientemente, quando conveniências imediatas passam a valer mais do que a finalidade que escolheram servir.
Instituições também perdem o Norte: universidades, famílias, organizações empresariais, tropas durante o combate, templos e partidos.
Quando os métodos passam a ser mais importantes do que a finalidade, os sistemas podem continuar funcionando, mas deixam de cumprir plenamente a razão pela qual nasceram.
Métodos são passageiros. Finalidades profundas permanecem.
Esse alinhamento, porém, não significa que quaisquer meios se alinhem naturalmente para justificar os fins. Se um nortinho é realmente legítimo, ele não pode renegar o Norte que pretende servir. Um meio indigno pode até produzir um resultado satisfatório imediato, mas cria uma fratura na própria finalidade. Não basta que os objetivos intermediários conduzam ao Nortão; é preciso que a maneira de persegui-los também seja ética e coerente com ele.
Prontidão
Entre as atitudes mais importantes da existência talvez esteja o estado de prontidão.
Não ansiedade. Não pressa. Mas prontidão.
A capacidade de perceber o momento de perguntar e de agir, sem perda de tempo, diante de cada situação:
O que esta circunstância está me pedindo? Quais são os nortinhos legítimos para hoje?
E, antes do movimento, verificar silenciosamente:
Eles continuam apontando para o meu Norte?
Prontidão é estar preparado para agir em estado de vigilância — numa aproximação possível com o “vigiai e orai”. Quem se encontra pronto não permanece paralisado numa sucessão interminável de “e se…”. Conserva vontade, recursos, atenção e presença para reconhecer quando agir, onde intervir e até onde avançar. A prontidão não elimina o porquê; ela já o examinou o suficiente para não precisar recomeçar a deliberação no instante decisivo.
Um Norte possível
Tenho a convicção de que existe uma configuração “de fábrica” para a consciência reta, mas ela parece impraticável em nosso estágio de evolução moral, sobretudo para quem ainda engatinha na vida. Talvez seja mais razoável imaginar que, em cada existência, essa consciência moral venha a ser progressivamente aperfeiçoada nas oficinas do Norte.
A missão definida pela finalidade é método com liberdade de ação — condição mais avançada de êxito. O discernimento, o principal instrumento. As pedras, as tentativas, os treinamentos e as provas. Os nortinhos, os objetivos de momento. E o coração, fonte possível da direção moral — desde que também seja educado e vigiado.
O coração não é infalível. Pode iluminar a escolha quando movido por compaixão, humildade e justiça, mas também pode tornar-se um músculo traidor quando capturado pelo orgulho, pelo medo, pelo ressentimento, pelo ciúme ou pelo desejo de domínio. Por isso, não basta seguir o coração: é preciso adocicá-lo, educá-lo e submetê-lo ao discernimento.
Talvez as decisões mais importantes realmente venham primeiro do coração, antes de serem inteiramente justificadas pelo intelecto. Mas o coração não governa sozinho. Ele pressente e oferece direção; a razão examina circunstâncias e consequências; a consciência julga a dignidade da escolha; e a vontade transforma a decisão em ato. Não se trata propriamente de uma junta em disputa, mas de uma governança interior que precisa aprender a harmonizar-se. Quando uma dessas forças usurpa as demais, perdemos o equilíbrio. Quando cooperam sob a luz do discernimento, aproximamo-nos do Norte.
Essa governança interior precisa ainda olhar além da conquista imediata. Muitas decisões parecem corretas enquanto se observa apenas o primeiro resultado. O filme, porém, não termina quando o objetivo é alcançado. Toda escolha inaugura consequências, altera relações, cria precedentes e transforma quem a praticou. É possível ganhar uma batalha e, pela maneira de vencê-la, comprometer a guerra inteira. Por isso, uma estratégia realmente ampla não pergunta apenas se algo pode ser conquistado, mas o que permanecerá depois da conquista, que preço será cobrado ao longo do tempo e se o caminho escolhido continuará compatível com o Nortão.
E a vida comporta um conjunto de oficinas nas quais cada obra realizada também transforma o artesão ao longo do tempo.
Talvez não tenhamos recebido todas as respostas porque elas nos permitiriam saltar etapas essenciais de uma aprendizagem gradual, necessária e, quem sabe, contínua.
Pela sabedoria do Pai, recebemos ferramenta educadora: a antiga bússola. E, com ela, a liberdade de escolher entre o bem e o mal, entre o certo e o errado; a responsabilidade de responder pelas consequências de nossos atos; e o tempo necessário para continuar aprendendo.
Afinal…
Talvez não tenhamos recebido mapa completo porque o verdadeiro propósito não seja apenas chegar a algum lugar. Pode ser aprender a reconhecer a direção, escolher os caminhos, prever consequências, corrigir os desvios e tornar-nos, durante a travessia, mais conscientes daquilo que fazemos e daquilo em que nos transformamos. Não recebemos apenas uma existência para atravessar. Recebemos a própria travessia para aprender a viver com Norte.
Ajoia Brasil Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados

