Laudijane, mãe de Breno Filipe Sales, vive um drama duplo – uma tragédia -, a dor da perda do filho e uma grave batalha contra o câncer.
Após a morte de Breno em julho de 2022, ela ficou sete meses em depressão profunda, o que contribuiu para o desenvolvimento de um câncer de mama. Em outubro de 2025, descobriu metástase na cabeça, agravando seu quadro clínico.
Ela precisa urgentemente realizar um PET Scan, exame essencial para avaliar metástases e definir o tratamento adequado. Apesar de uma liminar judicial que determina que o plano de saúde Hapvida autorize e custeie integralmente o exame, e demais procedimentos, com multa diária de R$ 1.500 por descumprimento, a operadora ainda não cumpriu a decisão.
O juiz reconheceu a gravidade do caso, concedeu Justiça Gratuita, mas o plano de saúde continua resistindo, inclusive contestando o fato de Laudijane ter recorrido à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), em uma iniciativa legítima.
Enquanto luta por justiça pela morte do filho, Laudijane enfrenta a negligência de seu plano de saúde em um momento crítico de sua saúde.
Relembre o caso
No dia 8 de julho de 2022, no bairro de Boa Viagem, Recife (PE), Breno Filipe Sales teve a via ceifada aos 29 anos, vítima de um crime motivado por ciúme e seguido de graves questionamentos sobre a omissão de socorro.
Emerson Alexandre Raulino, ex-marido de Lízia Regina de Albuquerque Melo (sogra de Breno), invadiu o prédio da ex-companheira após passar a madrugada tentando entrar. Por volta das 7h da manhã, ele disparou contra Lízia, contra a filha dela Mayara (namorada de Breno) e contra Breno, que estava no apartamento. Após os disparos, Emerson deu fim à própria vida.
Em uma tentativa desesperada de sobrevivência, Breno conseguiu se arrastar até o elevador e chegar ao térreo. As câmeras de monitoramento registraram o momento em que moradores passaram por ele e ignoraram seus apelos por ajuda. O socorro também foi marcado pela demora, acionado às 7h50, o SAMU só deu entrada com o jovem no Hospital da Restauração às 9h28, quase duas horas após o ataqu.
O atestado de óbito aponta choque hipovolêmico como causa da morte, reforçando a tese de que a demora no atendimento foi decisiva. Familiares, especialmente a mãe de Breno, denunciam que:
- Três ambulâncias do SAMU e o IML estiveram no local, mas priorizaram outras vítimas (inclusive a namorada de Breno, atingida de raspão);
- A primeira equipe do SAMU teria se recusado a remover Breno alegando falta de documentos e acompanhante;
- Somente após a intervenção de Robson, amigo de Breno, que conseguiu usar a habilitação digital do jovem, o socorro foi efetivado;
- Ninguém da família da namorada de Breno, que estava presente no prédio, prestou auxílio imediato ou avisou a mãe dele.
Há quatro anos, Laudijane trava uma batalha judicial e emocional por justiça. Ela denuncia a negligência não apenas do SAMU, mas também da administração do condomínio e das autoridades envolvidas. O episódio motivou protestos e gerou pedidos de investigação pelo crime de omissão de socorro, com base no Artigo 135 do Código Penal.
“Meu filho não morreu só pelo tiro. Ele sangrou até a morte esperando ajuda que nunca veio. Enquanto eu lutava contra o câncer, precisei ser mãe, advogada e polícia ao mesmo tempo”, desabafa Laudijane.
O caso de Breno Filipe expõe não apenas a violência doméstica extrema, mas também falhas graves no sistema de emergência e a dor de uma mãe que, além de enterrar o filho, enfrenta a indiferença das instituições.
Ajoia Brasil Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados

