Belo Horizonte à deriva esperando por um colapso anunciado
Sob a gestão do prefeito Álvaro Damião, a capital mineira mergulhou em um cenário de desorganização que penaliza diariamente milhões de cidadãos (Foto: PBH / Divulgação)

Belo Horizonte à deriva esperando por um colapso anunciado na mobilidade urbana, e ninguém se manifesta

Obras paradas, trânsito caótico e decisões ineficazes, a cidade paga o preço de uma administração que insiste no improviso, cuja marca é a da mediocridade

 

Belo Horizonte à deriva esperando por um colapso anunciado
Fernanda Altoé, João Vitor Xavier, Bráulio Lara, Marcela Trópia, Álvaro Damião e Astolfo José da Costa Junior: tapinha nas costas de todos os lados em vez de cobranças  (Foto: Portal MC)

 

A degradação da mobilidade urbana em Belo Horizonte já não pode mais ser tratada como um problema estrutural herdado ou um desafio técnico complexo. Trata-se, hoje, de um retrato claro de incompetência administrativa e ausência de liderança. Sob a gestão do prefeito Álvaro Damião, a capital mineira mergulhou em um cenário de desorganização que penaliza diariamente milhões de cidadãos.

Circular pela cidade deixou de ser rotina e passou a ser um exercício de desgaste físico e emocional, estresse constante em meio a deterioração que tomou conta da maioria das vias, com pisos irregulares e obras inexplicavelmente abandonadas. Um desafio que motoristas são submetidos por toda a cidade, um teste de habilidades para evitar os murundus, as crateras que se multiplicam, e  bocas de lobo soltas que fazem doer o bolso.

A falência da gestão do trânsito é evidente, e claro, inaceitável. Em uma metrópole do porte de Belo Horizonte, a ausência de sincronização semafórica beira o absurdo, significa estresse desnecessário para quem enfrenta o trânsito. Não há fluidez, não há lógica, não há planejamento. O que se vê é a atuação desastrosa da BHTrans, cuja política de contenção de tráfego mais atrapalha do que organiza.

Intervenções mal concebidas, retenções artificiais e decisões desconectadas da realidade transformam deslocamentos simples em trajetos intermináveis. O impacto vai além do tempo perdido: aumenta-se o consumo de combustível, amplia-se a poluição e intensifica-se o estresse, o maior combustível para o aumento de acidentes, justamente o oposto do discurso oficial. Não custa lembrar que veículo nenhum sobre em passeios para atropelar pedestres, e que portanto o argumento de que fluidez causa atropelamento é estapafúrdio.

Enquanto isso, os órgãos responsáveis pela infraestrutura seguem inertes ou perdidos. A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (SUDECAP) e a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SUMOB) parecem incapazes de enfrentar os mais de 200 gargalos viários que estrangulam a cidade. A topografia da cidade grita por soluções fazendo coro com a população, mas eles seguem em um sono profundo, adiando o inevitável: As obras que não foram feitas nas últimas quatro décadas, terão que ser feitas, cedo ou tarde.

Com uma frota que ultrapassa 2,6 milhões de veículos, Belo Horizonte segue parada no tempo, sem qualquer resposta estruturante à altura do problema. Em vez de obras definitivas, recorre-se sistematicamente a soluções paliativas, o que se vê são remendos caros, ineficazes e de curto prazo, que apenas empurram o problema para frente enquanto agravam seus custos.

Mais preocupante ainda é o silêncio constrangedor de entidades que deveriam atuar como vozes críticas e indutoras de soluções. Instituições como Sociedade Mineira de Engenheiros – SME, CREA, Codese, Fiemg, Fecomércio, ACMinas, Sicepot, Sinduscon, CDL/BH e outras, optam pela omissão, reforçando um ambiente de conivência que favorece a inércia. Sem falar da imprensa, que troca anúncios pelo silêncio ou pelo jornalismo de esporte, desviando a atenção da arraia-miúda dos seus próprio martírios. É o triunfo da política do “tapinha nas costas”.

Consolida-se, assim, um ciclo perverso: o poder público falha, as instituições se calam e a sociedade é deixada à própria sorte, arcando com os prejuízos de uma cidade que já não responde às suas próprias demandas. O resultado é uma capital refém de uma gestão que faz do improviso sua política pública e da mediocridade seu padrão operacional. São os mesmos decisores há 40 anos, fazendo mais do mesmo.

Belo Horizonte, que há décadas aguarda intervenções estruturais à altura de sua relevância, tornou-se símbolo de um fracasso administrativo que se acumula e se agrava. A conta já chegou tarde e está sendo paga, todos os dias, por quem enfrenta o trânsito, os atrasos e o abandono. A sensação que fica é a de que o prefeito, os vereadores e os presidentes da BHTrans, Sudecap e Sumob, não andam pela cidade.

Insisto, os problemas de Belo Horizonte, ligados à infraestrutura e mobilidade, não nasceram neste governo, vêm de longa data, precisamente com a chegada de Patrus Ananias ao governo, que aparelhou a PBH, permitindo que os “companheiros” tomassem a gestão pública municipal e fizessem dela a própria casa. Nenhum prefeito depois disso conseguiu ficar livre deste fantasma, e BH segue derretendo há 34 anos.

Até quando?

Sobre José Aparecido Ribeiro

cropped aparecido.jpg
Jornalista, presidente da AJOIA Brasil; com formação em Filosofia, Turismo, Marketing e Gestão de Recursos de Defesa; é editor do Portal Minas Conexão e âncora do Médicos pela Vida; saiba mais: www.minasconexao.com.br

Aviso de responsabilidade: Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade e autoria dos colunistas. O portal ajoiabrasil.com.br não se responsabiliza pelo conteúdo, ideias ou posicionamentos expressos nos textos.