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Instituto foi criado pelo de Rodrigo Castanheira para honrar a sua memória e transformar a dor em ação (Foto: IRC / Divulgação)

Instituto Rodrigo Castanheira: Transformando a perda em proteção

O Instituto Rodrigo Castanheira nasceu da maior dor que uma família pode sentir: a perda de um filho.

Rodrigo era apenas um adolescente quando, ao sair de uma festa, foi brutalmente espancado. Após lutar pela vida na UTI por 16 dias, ele não resistiu. A dor da perda, no entanto, deu lugar a um propósito transformador, a família decidiu erguer uma rede de proteção para impedir que outras famílias passem pelo mesmo pesadelo

O Instituto é uma organização sem fins lucrativos focada na defesa e acolhimento de crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade; tendo como pilar a missão de proteger, acolher e transformar.

Para os idealizadores, ninguém deve atravessar a dor desamparados. É por isso que o Instituto mobiliza uma forte corrente do bem unindo empresas, voluntários, profissionais e a sociedade civil, para transformar solidariedade em impacto real e duradouro.

O Instituto foi criado por Ricardo Castanheira para honrar a memória de Rodrigo e, acima de tudo, transformar a dor em ação. Uma forma de garantir proteção para que jovens não vivam dominados pelo medo, além do suporte jurídico e emocional para famílias em sofrimento.

Famílias atingidas pela perda trágica de um filho enfrentam, além do luto, um profundo desamparo institucional. Frequentemente privadas de orientação jurídica e suporte psicológico, elas se veem sem respostas sobre o andamento das investigações. Paradoxalmente, o próprio sistema encarregado de acolhê-las e protegê-las é o que as abandona no momento de maior vulnerabilidade.

Essa é a dolorosa realidade enfrentada por Jorge Luiz e Marlene, pais de Lucas Henrique do Prado Ribeiro (35). O motorista de aplicativo teve a vida ceifada após uma discussão fútil. Ao sair de uma oficina, ele atingiu acidentalmente o retrovisor de outro veículo. A colisão provocou a fúria de André Luiz, filho do proprietário do estabelecimento, que reagiu disparando contra a cabeça do jovem. Lucas chegou a ser socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos

Além da dor irreparável da perda, a família enfrentou dificuldades para obter informações sobre as investigações. Em uma das tentativas, o pai ouviu do delegado responsável pelo caso que ele estava “querendo fazer o trabalho da polícia”, uma resposta que soou como abandono institucional.

Sr. Jorge combateu com firmeza a falsa acusação contra o filho, demonstrando que o jovem não ingressou no estabelecimento para praticar um assalto.

“Meu filho nunca roubou. O pai conhece o filho e eu conheço o meu filho, e eu sei que meu filho jamais roubaria nada de ninguém”, afirmou.

A busca por representação jurídica foi mais uma batalha dolorosa e desgastante. A família só conseguiu um advogado às vésperas do Tribunal do Júri, um tempo insuficiente para indicar testemunhas-chave e examinar as contradições da cena do crime.

A justiça insiste em tratar como algo comum o que jamais deveria ser normal, filhos que saem de casa e nunca mais voltam. A morosidade do sistema não apenas prolonga o sofrimento das famílias das vítimas, mas alimenta a sensação de impunidade.

Há quatro anos, Maria Laudijane Rodrigues de Sales, mãe do Breno Filipe (28), que teve a vida interrompida, enfrenta uma dura batalha por uma justiça que ainda não chegou.

O crime ocorreu em 8 de julho de 2022, em Boa Viagem, Recife (PE). Emerson Alexandre Raulino invadiu o apartamento da ex-companheira, Lízia Regina, e disparou contra ela, a filha Mayara e o genro, Breno. Na sequência, o agressor tirou a própria vida.

Em uma tentativa desesperada de salvar a própria vida, Breno se arrastou até o elevador e conseguiu chegar ao térreo. Câmeras de monitoramento registraram o momento em que vizinhos passaram por ele e ignoraram seus apelos por ajuda.

Testemunha relata que o resgate demorou. O SAMU foi chamado às 7h50, mas o jovem só deu entrada no Hospital da Restauração às 9h28. Breno morreu de hemorragia, o que indica que cada minuto perdido foi determinante para que ele não resistisse.

“Enquanto eu lutava sozinha para provar a omissão de socorro do meu filho, travei uma batalha contra um câncer de mama e um tumor cerebral. Minha saúde desmoronou porque ninguém me ouviu. Eu tive que ser mãe, advogada e polícia ao mesmo tempo”, relata Laudijane.

Enquanto processos se arrastam por anos, muitos responsáveis por mortes violentas permanecem em liberdade, reconstruindo suas rotinas como se nada tivesse acontecido.

Do outro lado, ficam as famílias. Pais, mães e irmãos têm suas vidas reduzidas a saudade, dor e a exaustiva luta para provar o óbvio: seus filhos partiram de forma prematura e cruel, e merecem justiça.

Estudioso, focado e incansável, Pedro Henrique Rodilha (14), conhecido como gênio da matemática, transformava números em futuro. Suas conquistas falavam por si: campeão múltiplo nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática, com menções honrosas e brilho internacional nas Olimpíadas Canguru.

No dia 11 de maio de 2025, a família de Pedro estava a caminho da praia para comemorar o Dia das Mães, quando sofreram um grave acidente. Maycon Douglas Gomes Teixeira (33), dirigia na contramão, visivelmente embriagado e colidiu violentamente contra o carro da família.

Preso em flagrante, ele foi liberado em menos de 24h após pagar fiança de R$ 7590 reais. De acordo com o Detran do Pará, Maycon, que se recusou a fazer o teste do bafômetro, estava em alta velocidade, com odor de álcool, sonolência e atitude falante.

Maycon, que reside em Brasília-DF, é réu por homicídio qualificado por dolo eventual. Ele assumiu o risco de matar. A família aguarda a decisão se ele vai a Júri Popular. A audiência está marcada para 25 de março de 2027.

Pedro entrou em coma e lutou pela vida por 50 dias, mas não resistiu aos ferimentos. Cada adiamento, cada demora e cada obstáculo judicial representam uma nova ferida para quem já perdeu tudo. Para Jânio Venâncio, mesmo não estando presente fisicamente, a memória do filho será honrada.

“É trazer um pouco de sossego pro nosso coração. Porque me dói, a cada dia que eu acordo, a cada dia que eu vou deitar, pensar que a pessoa que causou tudo isso está em liberdade, podendo ainda ser livre”, lamenta o pai.

Não é normal não voltar para casa. Não é normal que famílias sejam condenadas à dor eterna enquanto os acusados seguem livres. E não pode ser aceitável que a justiça, ao demorar, acabe por afagar aqueles que deveriam responder por seus atos.

Pensando nas famílias vítimas de tragédias que se veem sem orientação, apoio psicológico ou assistência jurídica, nasce o Instituto Rodrigo Castanheira. O propósito é ocupar esse vazio, oferecendo uma rede de acolhimento e proteção, trabalhando para que a prevenção venha antes da violência.

 

Sobre Márcia Casali

Jornalista profissional com experiência em telejornalismo, mídia impressa e web, assessoria de imprensa, social media e organização de eventos. Cristã, conservadora, defensora da causa animal, direitos da criança e do adolescente.

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