A liberação seletiva de informações em investigações de grande impacto público é um dos vícios mais perigosos da vida institucional brasileira. Quando suspeitas, indícios ou fragmentos de provas são divulgados de forma parcial, cria-se um ambiente propício à manipulação da opinião pública, à proteção de determinados interesses e, muitas vezes, à blindagem de possíveis culpados. No caso do escândalo envolvendo o Banco Master, o que mais preocupa não é apenas a gravidade das suspeitas em si, mas a forma como elas vêm sendo apresentadas à sociedade.
Trechos de investigações aparecem aqui e ali, nomes são insinuados, versões são plantadas e o público fica com a sensação de estar diante de um quebra-cabeça ao qual faltam peças essenciais.
Esse método é deplorável. Quando se quebra o sigilo de uma investigação, que se faça de maneira integral e responsável. A transparência não pode ser seletiva. Divulgar apenas aquilo que convém a determinados interesses compromete a credibilidade das instituições, distorce a percepção dos fatos e cria julgamentos prévios sem que o conjunto das evidências seja conhecido.
Outra pergunta inevitável paira no ar: onde está a Procuradoria-Geral da República em todo esse imbróglio? Diante de suspeitas tão graves e de um debate público crescente, espera-se uma atuação firme, clara e independente. O silêncio institucional, em momentos como este, apenas alimenta desconfianças e amplia a sensação de impunidade que há décadas corrói a confiança da população.
O Brasil já assistiu a muitos escândalos que começaram com estrondo e terminaram em silêncio. Investigações que pareciam promissoras acabaram se diluindo em labirintos jurídicos, prescrições oportunas e esquecimentos convenientes.
O maior temor do cidadão comum é exatamente esse: que, mais uma vez, tudo termine em nada.
O País merece conhecer a verdade completa. Não versões fragmentadas, não vazamentos calculados, não narrativas montadas ao sabor de interesses políticos ou econômicos. O Brasil precisa saber quem fez o quê, quem se beneficiou, quem se omitiu e quem protegeu quem neste escândalo.
Durante anos, muita sujeira foi varrida para debaixo de tapetes poderosos. Talvez tenha chegado a hora de levantar esses tapetes de uma vez por todas e deixar que a luz da transparência mostre tudo o que estava escondido.
Ajoia Brasil Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados
