Fundação Clóvis Salgado anuncia ópera “Chica da Silva” no encontro da ACH-MG em Diamantina
A ópera "Chica da Silva" poderá ser assistida pelo público em Diamantina e BH, no Palácio das Artes, em setembro (Fotos: César Trópia)

Fundação Clóvis Salgado anuncia ópera “Chica da Silva” no encontro da ACH-MG em Diamantina

Produção inédita tem pré-estreia em Diamantina, em setembro de 2026, com participação da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico de Minas Gerais

 

Fundação Clóvis Salgado anuncia ópera “Chica da Silva” no encontro da ACH-MG em Diamantina
Secretário Leônidas Oliveira e Fernanda Viera, personagem Chica Da Silva na ópera de mesmo nome

 

Durante encontro promovido pela Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais – ACHMG, cujo presidente é o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo, com a presença do Secretário de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, realizado nesta sexta-feira (24), em Diamantina, a Fundação Clóvis Salgado anunciou a pré-estreia da ópera inédita “Chica da Silva” no município.

Os detalhes da produção, que integra o programa Ano JK, iniciativa em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, filho de Diamantina, foram apresentados pelo recém empossado, presidente da Fundação Clóvis Salgado, Yuri Mello Mesquita, que pretende dar sequência ao brilhante trabalho realizado pelo jornalista Sérgio Rodrigo Reis, que se afasta do serviço público para cuidar do pai, em idade avançada. Gesto nobre e que merece destaque.

O Portal Minas Conexão e o site Ajoia Brasil conversaram com o presidente Yuri M. Mesquita sobre o significado desta ópera para Minas e para o Brasil: “Chica da Silva é um símbolo do Tejuco, de Minas e do Brasil.

“Para todos nós da Fundação Clóvis Salgado, é uma honra realizar esta grande ópera. Por isso, escolhemos Diamantina para o pré-lançamento — uma das cidades mais encantadoras do país e um dos principais centros da América Portuguesa no século XVIII. Para compreender a história do Brasil, é essencial conhecer Minas, Diamantina e a nossa Chica da Silva”, destacou o presidente.

A pré-estreia está marcada para o dia 12 de setembro, em Diamantina. Em Belo Horizonte, as récitas ocorrerão nos dias 19, 21 e 23, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. A montagem transporta o público ao Arraial do Tijuco (atual Diamantina), no século XVIII, cenário em que emerge a trajetória de Chica da Silva, mulher negra recém-liberta que desafia as rígidas hierarquias sociais de seu tempo ao se unir ao mais poderoso minerador da região, protagonizando uma intensa e duradoura história de amor.

Elevada a uma posição de destaque improvável para alguém de sua origem, Chica passa a enfrentar a inveja, a hostilidade e as intrigas de uma sociedade de matriz portuguesa que resiste à sua ascensão, especialmente após a partida de seu companheiro, quando precisa lidar sozinha com as tensões e os julgamentos ao seu redor.

O feminino e a construção simbólica de Minas Gerais

 

Ao longo do encontro, os participantes também acompanharam debates sobre a história e a cultura mineira. O secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, apresentou a palestra “A invenção do feminino: ausência de mulheres e devoção mariana na formação das cidades históricas de Minas Gerais”.

Leônidas é PhD em Arquitetura e História da Cultural pela Universidade de Valladolid na Espanha e está no governo desde a primeira hora, quando tomou posse na Secult-MG, a convite do então Governador Romeu Zema, em plena pandemia, e foi responsável pela maior revolução no setor de Cultura e Turismo do estado de Minas Gerais.

Depois de um período sabático que durou menos de seis meses, o secretário está de volta, ao aceitar o convite do Governador Mateus Simões. O secretário comentou a relevância da ópera “Chica da Silva”, destacando que a obra contribui para ampliar o debate sobre o papel do feminino na construção simbólica do Estado.

“Embora presentes na devoção religiosa, na arte e no cotidiano, as mulheres nem sempre são reconhecidas em sua dimensão histórica e social. Ao levar Xica à cena, a arte devolve corpo, voz, conflito e complexidade a uma figura que a memória muitas vezes simplificou. A ópera permite que Xica retorne não como ilustração folclórica, mas como uma pergunta viva sobre Minas”, analisa. “Talvez essa seja a maior potência da arte: fazer o passado falar novamente, não para repeti-lo, mas para provocar o presente. Quando Chica volta como música, drama e cena, somos convidados a revisitar a própria narrativa mineira”, conclui o secretário que é um dos mais bem avaliados dos governos Zema e Mateus Simões.

Sobre José Aparecido Ribeiro

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Jornalista, presidente da AJOIA Brasil; com formação em Filosofia, Turismo, Marketing e Gestão de Recursos de Defesa; é editor do Portal Minas Conexão e âncora do Médicos pela Vida; saiba mais: www.minasconexao.com.br

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