Para os que ainda não acreditam em semeadura livre e colheita obrigatória, o caso Banco Master e Alexandre de Moraes é uLULAnte

O Banco Master declarou à Receita Federal pagamentos superiores a R$ 80 milhões ao escritório de advocacia Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os valores, registrados entre 2024 e 2025 com retenção direta na fonte, vieram à tona após envio de documentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Reportagem da Folha de São Paulo apontou que, somente em 2024, os repasses ultrapassaram R$ 40 milhões. O escritório nega as informações e alega violação de sigilo fiscal.
Mas o ponto central já não é apenas o volume milionário, mas o que esse episódio simboliza. Alexandre de Moraes tornou-se a face mais visível de um modelo de poder que, para muitos, deixou de ser excepcional para se tornar preocupantemente dominante. Um modelo em que a autoridade se expande, os limites se tornam difusos e o peso das decisões recai sobre a sociedade sem o necessário equilíbrio institucional.
O que se vê, é a consolidação de uma atuação marcada pelo protagonismo excessivo, pela centralização e por decisões que frequentemente esticam, quando não tencionam ao máximo, revelando uma personalidade abusiva. Para os mais sensatos e atentos, traços inequívocos de uma psicopatia grave, que se agrava ao considerarmos o cargo que ocupa e o poder que lhe é conferido.
Não se trata mais de divergência jurídica legítima, mas de um debate profundo sobre até onde pode ir o poder de um ministro sem que isso comprometa a própria lógica democrática. A liturgia do cargo, que exige sobriedade, discrição e autocontenção, parece dar lugar a uma postura que muitos classificam como impositiva e pouco permeável ao contraditório. A incorporação de um tirano clássico.
Quando decisões individuais ganham dimensão estrutural e passam a influenciar diretamente o ambiente político e social, o risco deixa de ser teórico e passa a ser concreto. Há, nesse cenário, uma crítica que se torna impossível ignorar: a de que o exercício do poder, quando não encontra freios claros, tende inevitavelmente ao excesso. Os fatos dizem por si só.
E é exatamente essa percepção, a de um poder que avança sem contrapesos visíveis, que alimenta e acaba virando autoritarismo, reforçando o desgaste da confiança pública em uma corte que precisa de respaldo popular, mesmo não sendo eleita pelo voto. Afinal, a palavra democracia está na boca de todos os ministros do STF, justificando quase tudo. Mas será que de fato estão praticando democracia? A quem eles servem?
O problema é que instituições não se sustentam apenas pela força de suas decisões, mas pela legitimidade com que são percebidas. Quando essa legitimidade começa a ser questionada de forma ampla, o dano ultrapassa qualquer figura individual e atinge o próprio alicerce do Estado de Direito. E isso não tem como mais ser escondido, a moral do STF está na berlinda.
Em nenhum país civilizado e democrático, a Suprema Corte está na mídia diariamente, como no Brasil. Somos ou não somos um regime tripartite e presidencialista? Afinal, quem é a autoridade máxima no Brasil? Você tem alguma dúvida de que Alexandre de Moraes se auto proclamou o soberano?
No fim, o caso expõe mais do que números expressivos ou versões conflitantes envolvendo o intocável Alexandre de Moraes. Expõe um país em tensão, onde a linha entre autoridade e excesso parece cada vez mais tênue, e, sobretudo onde cresce a cobrança para que o poder, independentemente de quem o exerça, volte a caber dentro dos limites claros da Constituição.
Ajoia Brasil Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados
