A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou requerimento apresentado pelos senadores Flávio Arns (PSB-PR) e Eduardo Girão (Novo-CE) para a realização de uma audiência pública destinada a debater o Projeto de Lei nº 2.745, de 2021, que propõe tipificar como crime a divulgação de informações falsas sobre vacinas. A matéria conta com parecer favorável da relatora, senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), além de voto em separado apresentado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), evidenciando a existência de diferentes posicionamentos sobre o tema no âmbito da comissão.
O debate foi aprovado como etapa prévia à votação do projeto, prevista para o dia 29, com o objetivo de ampliar a discussão e permitir a participação de especialistas e representantes da sociedade civil em um tema sensível, que envolve tanto a saúde pública quanto a liberdade de expressão.
Entretanto, apesar da relevância da proposta, não houve ampla divulgação da audiência pública. Essa limitação na comunicação dificulta o acesso da população ao debate e reduz as possibilidades de participação social, elemento essencial em processos legislativos dessa natureza. Com isso, vítimas e familiares acabam ficando afastados da discussão, mesmo podendo contribuir com dados, documentos e outras informações relevantes que enriqueceriam o debate e auxiliariam na tomada de decisões mais fundamentadas.
É importante, no entanto, tratar com cuidado os exemplos citados no debate público. Há casos de bloqueio de contas em redes sociais por levantarem essa temática, muitas vezes sem que haja necessariamente decisões judiciais relacionadas diretamente ao conteúdo em si, o que levanta discussões sobre transparência e critérios adotados pelas plataformas.
Já alegações sobre “subnotificação” de eventos adversos em sistemas como os da Agência Nacional de Vigilância Sanitária devem ser analisadas de forma criteriosa: embora existam dados disponíveis, é possível que haja subnotificação, especialmente pelo fato de muitas pessoas não conhecerem o sistema ou não saberem como utilizá-lo. Esse fator pode comprometer a análise mais abrangente dos eventos adversos, ao mesmo tempo em que reforça a importância de ampliar a divulgação, a orientação à população e o incentivo à notificação adequada.
Por outro lado, há registros de decisões judiciais que reconhecem, em casos específicos, nexos de causalidade entre eventos adversos e intervenções médicas, o que reforça a necessidade de atenção às vítimas e seus familiares, muitos dos quais aguardam reconhecimento, acompanhamento adequado e tratamento digno. Esses casos, quando devidamente comprovados, também podem contribuir para o aprimoramento das políticas públicas e dos sistemas de vigilância sanitária.
Assim, a participação de diferentes setores da sociedade — incluindo especialistas, profissionais de saúde, pesquisadores e cidadãos diretamente afetados — é fundamental para que o debate ocorra de forma equilibrada, baseada em evidências e com respeito aos direitos individuais e coletivos.
Ajoia Brasil Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados
