Foto: YouTube - Anel da Morte
Foto: YouTube - Anel da Morte

O Anel Rodoviário de BH escancara os limites e a tacanhez de quem escolhemos para nos governar

Quem utiliza o Anel Rodoviário sabe que a pergunta nunca foi “se” outro desastre aconteceria, mas “quando”

Anel Rodoviario 4
Foto: Reprodução Site DNIT

O Anel Rodoviário de Belo Horizonte deixou de ser, há muito tempo, apenas uma rodovia problemática. Tornou-se o retrato acabado da omissão do poder público e da falência da infraestrutura urbana de uma capital que cresceu sem planejamento compatível com sua realidade logística e metropolitana.

O discurso oficial insiste em vender uma sensação artificial de segurança baseada em radares, placas e campanhas educativas, como se sinalização eletrônica fosse capaz de conter carretas desgovernadas, freios superaquecidos ou uma estrutura viária completamente incompatível com o volume e o perfil do tráfego que recebe diariamente. É uma narrativa que afronta a inteligência da população e desrespeita a memória das vítimas.

O Anel Rodoviário é, na prática, a principal via expressa urbana de Belo Horizonte. Mas, juridicamente, continua sendo tratado como uma rodovia federal atravessando o coração da capital. Um monstrengo administrativo sem identidade clara e, pior, sem responsáveis que assumam efetivamente o problema. Um filho feio sem pai. Quando acontece uma tragédia, inicia-se imediatamente o jogo de empurra entre União, DNIT, Prefeitura e demais autoridades. Enquanto isso, famílias enterram seus mortos.

A Prefeitura de Belo Horizonte assumiu com pompas e circunstâncias a gestão do Anel com grande aparato de marketing institucional, entrevistas e promessas de modernização. Entretanto, na prática, o que se vê é a continuidade de medidas paliativas, populismo administrativo e soluções cosméticas diante de um colapso estrutural evidente.

Insisto, redução de velocidade, radares e novas placas não substituem obras pesadas de engenharia. Não eliminam gargalos, e eles são 13 (número cabalístico). Não segregam tráfego pesado. Não resolvem acessos perigosos. Não impedem que carretas dividam espaço com motociclistas, trabalhadores, ônibus e famílias inteiras em deslocamento urbano diário.

Anel Rodoviario 1
Foto: YouTube – Acidente anunciado de terça-feira (12/05)

O acidente envolvendo dez veículos na tarde desta terça-feira (12/05) é apenas mais um capítulo de uma tragédia anunciada há décadas. E talvez o aspecto mais revoltante seja justamente a previsibilidade. Não foi surpresa. Não foi fatalidade. Não foi acaso. Quem utiliza o Anel Rodoviário sabe que a pergunta nunca foi “se” outro desastre aconteceria, mas “quando”.

Enquanto isso, parte do jornalismo universitário, e da burocracia estatal protocolar segue cumprindo tabela, buscando um culpado imediato, geralmente o motorista sobrevivente, sem coragem de apontar a responsabilidade estrutural dos governantes e da negligência histórica que transformaram o Anel em uma armadilha permanente. Individualizar culpas pode ser conveniente politicamente, mas serve apenas para aliviar a pressão sobre décadas de incompetência administrativa.

O problema do Anel Rodoviário não será resolvido com tinta no asfalto, áreas de escape, slogans publicitários ou discursos otimistas em coletivas de imprensa adestrada. A via exauriu sua capacidade operacional. Sua concepção pertence a outra época, incompatível com o fluxo de carretas, com o crescimento da Região Metropolitana e com a dinâmica urbana de Belo Horizonte em 2026.

Foto: YouTube - Anel da Morte
Foto: YouTube – Anel da Morte

A construção do Rodoanel prometida há décadas deixou de ser apenas uma alternativa de mobilidade. Tornou-se uma necessidade humanitária. Cada atraso burocrático, cada disputa política e cada licença emperrada custam vidas reais. Vidas interrompidas em colisões que poderiam ser evitadas se houvesse coragem política para enfrentar o problema com a seriedade necessária e resolvê-lo com a boa engenharia, e não a de técnicos preguiçosos que esperam por aposentadoria na Prefeitura de BH e optam sempre por soluções mediocres.

Até que o Anel Rodoviário seja profundamente reestruturado, ou substituído por uma solução logística moderna, segura e compatível com sua função, Belo Horizonte continuará convivendo com tragédias recorrentes, cenas de destruição e a sensação revoltante de que a morte ali já foi normalizada pelo poder público.

https://br.video.search.yahoo.com/search/video?fr=mcafee&p=acidente+no+anel+rodoviario+de+BH&type=E210BR1591G0#id=1&vid=b53b3cbc3e2ab00e35f1a7910cd4ed19&action=view 

José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor  – Presidente e Fundador da Ajoia Brasil

www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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Sobre José Aparecido Ribeiro

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Jornalista, presidente da AJOIA Brasil; com formação em Filosofia, Turismo, Marketing e Gestão de Recursos de Defesa; é editor do Portal Minas Conexão e âncora do Médicos pela Vida; saiba mais: www.minasconexao.com.br

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