Há destinos que ultrapassam a ideia de passeio e se tornam uma experiência de imersão. Em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Instituto Inhotim ocupa esse lugar singular: um museu de arte contemporânea e jardim botânico onde criação artística, paisagem e educação ambiental se encontram em escala monumental.
Instalado em uma área de visitação de 140 hectares, o Inhotim permite que o público caminhe entre mais de mil espécies de plantas de diferentes continentes e um acervo artístico formado por esculturas, instalações, fotografias, pinturas e obras em múltiplos suportes. A instituição está situada em uma região de transição entre dois biomas estratégicos do País — Mata Atlântica e Cerrado — o que contribui para a singularidade do espaço e para a possibilidade de obras criadas especialmente para o território.
A extensão do parque e sua configuração ao ar livre viabilizam a exibição permanente de trabalhos em grande escala que, em geral, não poderiam ser apresentados em museus tradicionais. Artistas encontram no local condições únicas para desenvolver projetos inovadores, integrados à arquitetura e ao ambiente natural.
Atualmente, a experiência do visitante reúne 24 galerias, sendo 18 permanentes, dedicadas a artistas, e seis temporárias, que recebem exposições coletivas, monográficas e obras comissionadas. Nos espaços internos e externos, o museu conta com mais de 800 trabalhos em exposição, assinados por cerca de 50 artistas de mais de 18 países.
Entre os nomes presentes nas galerias permanentes estão Adriana Varejão, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Hélio Oiticica, Tunga e Yayoi Kusama, além de artistas internacionais como Doris Salcedo, Doug Aitken, Cristina Iglesias e Matthew Barney. Já as obras externas incluem instalações de grandes dimensões espalhadas pelo parque, em diálogo direto com o paisagismo.
Galeria – conheça alguns espaços do Inhotim:
Jardins temáticos
A visita é atravessada por jardins temáticos, caminhos sinuosos e pelo Viveiro Educador, considerado o coração do Jardim Botânico: um complexo de cerca de sete hectares que reúne estufa tropical, meliponário, áreas de produção de plantas, pesquisa e conservação. O instituto mantém parcerias técnicas com universidades como Esalq/USP, UFV e UnB, reforçando seu papel científico e ambiental.
Além da área aberta ao público, o Inhotim também compreende uma extensão de 250 hectares de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), o que contribui de forma vitalícia para a conservação da biodiversidade e conectando o parque ao sul da Serra do Espinhaço.
Desde sua abertura ao público, em 2006, o Inhotim já recebeu mais de 4,5 milhões de visitantes de diversas nacionalidades, e se consolidou como um dos principais destinos turísticos e culturais do Brasil. A instituição se tornou uma importante fonte de geração de renda para Brumadinho, Belo Horizonte e região, ao impulsionar a economia local e fortalecendo Minas Gerais na cena global da arte contemporânea.
A democratização do acesso também é uma marca do instituto. Somente em 2023, 158 mil pessoas visitaram o espaço gratuitamente, por meio de políticas públicas e programas específicos. Moradores de Brumadinho cadastrados no programa Nosso Inhotim têm entrada franca durante todos os dias de funcionamento.
O instituto é uma entidade privada, sem fins lucrativos, sustentada por aportes de pessoas físicas e jurídicas, via doações diretas ou leis de incentivo. Desde 2022, a instituição desenvolve o programa O Inhotim de Todos e para Todos, voltado à sustentabilidade financeira, ampliação da programação e fortalecimento de sua vocação pública.
Novo capítulo da gastronomia
A partir de fevereiro, a experiência gastronômica do Instituto Inhotim inicia um novo capítulo com a chegada do Grupo Capim Santo, referência da gastronomia brasileira. Liderado pela chef Morena Leite, responsável pela criação e curadoria culinária, e por Adriana Drigo, à frente da gestão e estratégia do negócio, o grupo passa a assinar a operação e os menus de três espaços de alimentação, além da área de eventos do museu.
Os restaurantes Oiticica e Tamboril, além do Café das Flores, ganham uma proposta que valoriza ingredientes brasileiros, técnica apurada e conexão com o território. A parceria qualifica a operação de alimentos e bebidas do Inhotim e aprofunda o diálogo entre arte, natureza e gastronomia, ampliando a experiência sensorial oferecida ao visitante.
O primeiro espaço a inaugurar essa nova fase é o Restaurante Oiticica, que passa a se chamar Comedoria Oiticica. A proposta é homenagear a gastronomia mineira, ao destacar sua força cultural e dando protagonismo a ingredientes, técnicas e saberes tradicionais do Estado.
Em sintonia com essa leitura afetiva e territorial da cozinha de Minas, o projeto arquitetônico do espaço também segue a mesma lógica de respeito e escuta. A intervenção temporária e reversível é assinada pelo Bloco Arquitetos, com um desenho que dialoga de forma sutil com a arquitetura original e tem na natureza o elo entre ambiente, gastronomia e experiência.
O menu, servido em formato buffet a quilo, celebra preparos emblemáticos como frango com quiabo, feijão tropeiro, tutu de feijão e lasanha de frango com milho e requeijão, apresentados com o cuidado e a leitura contemporânea característicos do Grupo Capim Santo.
“O Oiticica nasce como um tributo à cozinha mineira em toda a sua diversidade. O cardápio é construído a partir de insumos e receitas que traduzem a cultura de Minas Gerais e suas 12 regiões gastronômicas. Mais do que um restaurante de comida mineira, buscamos refletir o aconchego e a maneira de comer, servir e receber do mineiro”, afirma a chef Morena Leite.
Integrados ao percurso do Inhotim, os outros dois espaços ampliam as possibilidades gastronômicas ao longo da visita. O Restaurante Tamboril, localizado em uma área central do museu, passa a operar com serviço à la carte e um cardápio dedicado à cozinha brasileira em sua amplitude, reunindo referências e ingredientes de diferentes regiões do País.
Já o Café das Flores se posiciona como um ponto de pausa entre galerias e jardins, oferecendo lanches rápidos, cafés selecionados, sanduíches preparados na casa e pães de queijo, pensados para acompanhar o ritmo e a atmosfera do museu.
A nova operação será acompanhada por um processo estruturado de capacitação liderado pelo Grupo Capim Santo, que leva ao instituto sua expertise em gestão gastronômica e desenvolvimento de equipes. Formadas majoritariamente por profissionais de Brumadinho e região, as equipes passam por um trabalho contínuo de qualificação técnica, organização de processos e alinhamento cultural.
Além dos restaurantes, o grupo também passa a assinar a gastronomia dos eventos realizados no museu.
Como visitar o Instituto Inhotim
- Endereço: Rua B, 20, Inhotim — Brumadinho (MG)
- Informações: +55 (31) 3571-9700
- Site: link aqui
Horários de visitação
- Quarta a sexta: 9h30 às 16h30
- Sábados, domingos e feriados: 9h30 às 17h30
- Janeiro e julho: abre também às terças-feiras
Ingressos
- Inteira: R$ 50,00
- Meia-entrada: R$ 25,00
- Entrada gratuita: Todas as quartas-feiras; último domingo do mês (Domingo Gratuito Cemig, via Sympla); moradores de Brumadinho cadastrados no Nosso Inhotim; Amigos do Inhotim; crianças de 0 a 5 anos
Como chegar
- O Inhotim está a cerca de 60 quilômetro de Belo Horizonte (aprox. 1h15).
- Acesso pela BR-381 ou BR-040.
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