Ajoia Brasil nasceu da necessidade de fortalecimento do jornalismo independente,
Cabe ao jornalista conferir veracidade à informação, consolidando o conceito de liberdade de escolha e pensamento, assim como de opinião (Foto: Robert Sloma)

Ajoia Brasil nasceu da necessidade de fortalecimento do jornalismo independente, o resgate da deontologia e da ética profissional

Parcela do povo que tem maioridade para votar, mal consegue interpretar frases, quiçá exercitar consciência crítica. Daí a importância do jornalista exercer a missão de informar com ética

 

Recentemente um engenheiro conhecido disse que o jornalismo sério e ético, de acordo com a intransigente defesa que a ABI de Barbosa Lima Sobrinho fazia, é uma peça de museu. O que faz pensar que a profissão, antes motivo de orgulho, está em crise, e que era hora de separar o “joio do trigo”, escolhendo o lado certo, o que não renuncia (abre mão do) contraditório e do compromisso com os fatos.

A pandemia da Covid-19 serviu, entre outras coisas, para separar jornalistas de militantes de imprensa. No momento da história em que a humanidade mais precisou do contraditório, princípio basilar do jornalismo, o mundo assiste, sobretudo no Brasil (assistimos, sobretudo no Brasil), jornalistas assumindo papel de ideólogos, alguns se posicionando como médicos e donos da verdade, sem o devido distanciamento ou respeito à posição privilegiada do jornalista diante dos acontecimentos cotidianos.

Foi também durante a pandemia que o jornalismo independente, pelo novo broadcast da internet, levou informação fidedigna não manipulada para milhões de pessoas que perceberam o viés ideológico assumido por parcela expressiva da grande mídia. Lembra do “consórcio de imprensa”?

Foi ele o responsável pelo alinhamento, pelos arranjos textuais, as manchetes aterrorizantes, pela manipulação das imagens, pela semiótica e a semântica usadas sem critérios éticos e, em última instância, pela defesa de interesses inconfessáveis da indústria farmacêutica, de governos corruptos, e sobretudo, pelo próprio descredito que a imprensa e o jornalismo vêm sofrendo.

Do outro lado, jornalistas que não se submeteram ao discurso encomendado da big-pharma, ou dos representantes da nova ordem mundial, daqueles que se aproveitaram da pandemia para subjugar a ciência baseada em evidencias clínicas, tiveram que buscar informações fora da matrix, e da “agenda setting”, com médicos que também perceberam a farsa e não cruzaram os braços.

No lugar da disseminação do pânico em um período de vulnerabilidade poucas vezes visto na história, escolheram ficar do lado dos médicos que acolheram pacientes e honraram o juramento de Hipócrates. Impedidos de exercer o ofício, centenas de profissionais da imprensa partiram para a carreira solo, fazendo brotar pequenos veículos compromissados com o princípio basilar do jornalismo: o contraditório e o respeito aos fatos (as versões dos fatos).

A história haverá de passar a limpo o que de fato ocorreu antes, durante e depois da Pandemia da Covid-19, e qual a parcela de responsabilidade da imprensa no curso dos acontecimentos. O bom jornalista continua a desempenhar papel de mola mestra da liberdade de expressão, e graças à internet, seguem ativos no papel de pilares da nova liberdade. Jornalista não tem o poder de decidir para o seu público, tem o dever de mostrar os fatos.

Subsequente à pandemia, vieram as eleições de 2022 e novamente a imprensa se prestou ao papel de assessoria, de militância e de “portadores da verdade”, no lugar de informadores. Mais uma vez chutaram para escanteio a deontologia da profissão, e o pacto tácito de confiança, esquecendo que a população enxerga no jornalista muito mais do que apenas um formador de opinião, mas um porto seguro incorruptível que honra o juramento profissional, e não aceita ser manipulado e nem manipular.

Lamentavelmente, parcela considerável da população, que tem maioridade para exercer cidadania através do sufrágio, mal consegue interpretar frases, quiçá desenvolver e exercitar consciência crítica. Daí a importância da imparcialidade do jornalista na hora de exercer sua missão de informar.

Cabe ao jornalista conferir veracidade à informação, consolidando o conceito de liberdade de escolha e pensamento, assim como de opinião, onde prevalece sempre os fatos, sem arranjos ou manipulações para distorcê-los, por encomenda.

Com efeito, daí que surgiram as motivações para a criação da AJOIA Brasil, primeiro por inconformismo com o que presenciamos e depois por compreensão de que ainda há esperanças, e que as exceções, embora raras e honrosas, existem.

Somos nós, os jornalistas, a embasar para o leigo, o universo jurídico, que se consolida como justo na medida que defende o Direito a todas as nossas escolhas, nos protegendo das forças opressoras, venham elas de onde vierem, inclusive e sobretudo as quem brotam no seio do estado e em cortes superiores.

Não se pode (podemos) aceitar a submissão ao sistema, nem tampouco cumplicidade de um teatro montado por gatekeepers ou empresários preocupados apenas com o caixa, esquecendo da função social das empresas que dirigem. O que está em jogo não é a saúde financeira de grupos de mídia, mas a democracia que, embora frágil e cambaleante, sustenta a liberdade de expressão.

Sendo assim, as redes sociais ganham protagonismo, ao informar e permitir que a sociedade sinta o gosto e o peso da própria voz, no rumo certo para o amadurecimento de convicções e defesa da verdadeira democracia. Hoje, basta ler a Constituição em voz alta para ser tratado como criminoso e golpista.

Explicar a lei e pedir a instituições o cumprimento da Carta Magna, virou “incitação ao golpe”, ensinar virou subversão e pensar virou ameaça. A Justiça foi corrompida a tal ponto que já não se reconhece nem a si mesma. O Brasil precisa reagir, o jornalismo não pode se curvar e nem se submeter a ameaças de cortes supremas, hoje envolvidas em escândalos diários. Jamais o jornalista pode se permitir o papel de servo submisso do sistema.

A AJOIA Brasil nasce com o propósito de fortalecer o jornalismo independente, promover a ética, a liberdade de expressão, o fomento ao diálogo institucional, todos valores que dialogam com a missão de unir a categoria, cobrando dos que se afastam da deontologia profissional, coerência e ética. É tarefa do jornalista a informação com precisão, a fiscalização do poder, a promoção do debate público, agindo com liberdade e colocando o interesse público acima dos interesses privados.

Sobre Ajoia Brasil

Material produzido pela equipe da redação da Ajoia Brasil

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