Entrevista - Dan Berg e a Ética Contemporânea. Na imagem Dan Berg e a jornalista Arilda Costa McClive
Dan Berg e a jornalista Arilda Costa McClive: bate-papo de gente inteligente (Foto: Edy Fernandes)

Entrevista – Logos & Lógica: Dan Berg e a Ética Contemporânea

O polímata Dan Berg usa a sabedoria clássica e as línguas antigas para decifrar a Geopolítica e a Ética atual.  Escritor, poeta e pesquisador brasileiro, é pós-graduado em Neurociências, extensão universitária em Genealogia pela Universidade Mackenzie de São Paulo, Metodologia STEAM pelo British Council, Diplomacia Internacional e Direito Constitucional. É Membro Especial da Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU e da Ajoia Brasil – Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados.

Você se define como “incansável estudioso” antes de escritor. O que vem primeiro: o dado histórico ou o verso? Quem manda no seu processo criativo?

O dado histórico sempre precede o verso. Ele é o alicerce real do pensamento que me permite compor sobre fatos e experiências concretas já vividas ou observadas. A exceção ocorre apenas nos exercícios de metacognição, onde crio poesias voltadas ao pensamento fictício ou futurista, mas sempre com a base sólida da realidade guiando meu processo.

«Non Dvcor, Dvco!» (Não sou conduzido, conduzo!). Isso é lema pessoal ou tese sobre o Brasil? Quando você decidiu que não seria conduzido?

Ambos. Adotei este lema histórico de São Paulo como postura de vida por ter nascido no Ipiranga, berço da nossa Independência. Decidi assumir o controle do meu destino ao compreender a profundidade do chamado bíblico em B’reisheet (Gênesis 12): “Sai da tua terra e da tua parentela”, um dos mandamentos mais difíceis e complexos da experiência humana. É um imperativo de autonomia que aplico tanto à minha vida quanto à minha visão sobre a soberania do Brazil (com “z”).

Você estuda Ética, Filosofia e História ao mesmo tempo. Que vício do Brasil contemporâneo só a História Antiga consegue diagnosticar?

A passividade cívica e a inversão de valores. Defendo que o povo deve pautar os políticos, não o contrário. Não precisamos ser políticos profissionais ou eleitos, mas por responsabilidade como cidadãos conscientes. Quem não gosta de política é governado por quem gosta. Outro vício é o assistencialismo que gera dependência. Olho para a História e vejo que o progresso exige honra, dedicação e esforço. Também entendo que os professores devem ser os mais respeitados dentre todos os profissionais. A abreviação Prof. deve vir antes do Dr., pois não há um doutor que não tenha passado por um professor.

Seus textos primam por fontes primárias. Numa era de opinião, por que você insiste em voltar ao documento original? Isso é teimosia ou método?

É método e rigor ético. Como pesquisador e jornalista, entendo que minha primeira obrigação é informar o fato bruto por meio do documento original ou do “paper” científico. Somente após a apresentação da evidência é que cabe a análise. Sem a fonte primária, a informação é apenas opinião volátil.

“Sociedade dos Poetas Vivos” conta a Literatura do Brasil em poesia. Por que a história do Brasil não cabia em prosa? O que só o verso revela?

A história do Império do Brazil possui uma estética tão elevada que a prosa parecia insuficiente. Decidi transitar pelos nossos grandes literatos utilizando estilos variados em cada poema. Redigi o conteúdo de maneira plural no quesito estilístico, conferindo uma dinâmica única que impede que o texto seja rotulado, honrando nossa trajetória com a elegância que só o verso permite.

“Império do Brazil com z” – por que o “z” importa? É provocação ortográfica ou declaração política?

O “z” importa porque é a nossa identidade constitucional e milenar. Minha pesquisa revela que o nome deriva da raiz hebraica ברזל) BRZL – Barzel), que significa ferro ou férreo, rígido como ferro, avermelhado em sua incandescência. Esta grafia foi utilizada por milênios em escritas fenícias e celtas — como a ilha de Hy-Brasil — em mapas medievais muito antes de 1500. O termo remete ao metal incandescente, de cor avermelhada, e à rigidez do material. Desconstruo aqui um anacronismo: o nome da nação precede o da árvore. O vegetal recebeu esse nome por ser rígido como o ferro e possuir a seiva vermelha como o ferro em brasa. Cientistas mantiveram o “S” no vegetal apenas para respeitar a grafia da época do registro botânico. Aliás, em 2016, a ciência corrigiu o nome botânico para Paubrasilia echinata, mas originalmente a árvore sequer possuía esse nome duplo; era apenas o vegetal que remetia à terra de ferro (Barzel). O argumento de que o nome deveria ter “S” para combinar com “brasa” não se sustenta, pois, até 1943, escrevia-se braza (com Z); ambas foram alteradas na mesma canetada. A mudança do país para “S” em 1943 foi uma manobra arbitrária do ditador Getúlio Vargas, poe meio de seu séquito de acadêmicos, sem qualquer base etimológica, histórica, étnica, filológica, cultural ou linguística. Foi uma decisão puramente política e sem base técnica, tanto que mantiveram o “Z” em palavras como azul, natureza, azeite e fazer, expondo uma total incoerência argumentativa imposta sob ditadura, sem consulta ao povo.

Observem a cronologia:

  • Séculos antes de 1500: Cartas marítimas e mapas medievais já registravam o Brazil/Hy-Brasil como a realidade geográfica mapeada do outro lado do Atlântico (a Nova Terra Prometida);
  • 1824: O nome oficial na Carta Magna (Constituição do Império) é Brazil, com “Z”;
  • 1891: Mesmo na era republicana, a Constituição Federal dos Estados Unidos do Brazil mantém oficialmente o “Z”;
  • 1943: Ruptura ortográfica arbitrária de Vargas, violando milênios de história e documentos oficiais;

Portanto, identidade oficial de Brazil, desde antes de 1500 até 1943: 443 anos! Em absurda, inaceitável e violadora alteração do patrimônio imaterial do nome da nação de Brazil para Brasil, de 1943 até 2025: 82 anos. Só por essa comparação de lapso temporal já é possível ver onde está a verdade do nome oficial e original da pátria amada. Como o assunto é profundo, os interessados podem me convidar para palestras onde explico esses pormenores com rigor metodológico pelo WhatsApp 55 (Brazil) 11-973924436.

 

Entrevista com o escritor Dan Berg
Como pesquisador e estudioso incansável, Dan Berg dedica-se à escrita de ensaios, poesias, crônicas e parábolas

 

– Você chama o Brasil de “4ª maior potência mundial”. Que Brasil é esse que os livros didáticos não mostram? E por que tanta gente tem medo dessa frase?

É o Brasil das riquezas reais, como os 98% do nióbio mundial e nossa liderança em etanol. Se eliminarmos a corrupção e lastrearmos nossa economia na cesta de metais raros, seremos uma potência global imediata.

“Carpe Diem, Frui Nocte!” Você fecha livro com latim. O Brasil de hoje sabe aproveitar o dia e desfrutar a noite, ou só sobrevive?

Criei o dístico “Frui Nocte!” como complemento ao clássico de Horácio. Usei o verbo no ablativo para respeitar o rigor do latim: é um chamado ao Brazil moribundo, sobrevivendo a ditadores, para viver plenamente as 24 horas

Projeto “Ouro Líquido: azeite, Creta, Mediterrâneo”. O que o Brasil tem a aprender com civilizações que duraram milênios?

No projeto CÂNONE ZAIT, trilíngue — Português, Inglês e Grego —, em parceria com a sommelier Anna Tassia Blazoudakis (Ilha de Creta), exploramos o azeite em suas escritas e usos milenares, desde unção para reis e sacerdotes, energia (lâmpadas), higiene e cosmético, até veículo para substâncias com propriedades medicinais e curativas, além da própria gastronomia.

Muita gente diz que brasileiro não lê poesia nem história. Você prova o contrário vendendo livro. Onde erramos no diagnóstico sobre o povo?

O erro é subestimar o leitor. Ao unir História e Poesia de forma instigante, encontrei um público ávido que valoriza o livro físico e a substância intelectual.

Geopolítica em verso, história em poesia. Você borra fronteiras de propósito. Qual é o custo de separar “arte” de “poder” no Brasil?

O custo é o empobrecimento do debate. Uso a polimatia para oferecer uma visão sistêmica. Separar arte de poder é ignorar como a cultura molda as decisões geopolíticas.

Seus ensaios são lidos lá fora. O que o estrangeiro entende sobre o Brasil que o brasileiro se recusa a ver?

Amigos em monarquias parlamentaristas acham curioso o brasileiro criticar um Rei enquanto sustenta milhares de “reisinhos” na política.

“Sociedade dos Poetas Vivos” sugere que os poetas ainda mandam. Quem são os poetas vivos que estão moldando o Brasil hoje, fora da literatura?

São os pais e responsáveis que educam com integridade. O Estado fornece ensino, mas a educação é um valor de berço.

Se você pudesse obrigar todo político brasileiro a ler um capítulo da História do Brasil, qual seria? E por quê?

As Falas do Trono do Imperador do Brazil, Dom Pedro II. Quero que vejam o exemplo de um estadista poliglota e respeitado globalmente.

Daqui a 100 anos, se “Império do Brazil” virar livro escolar, que frase sua você gostaria que estivesse gravada na primeira página?

“Eu não imaginava que teria o privilégio de ensinar à nação inteira aquilo que as escolas e academias não ensinaram!”. E que lembrem: “Brazil com Z: É belo, é forte, é impávido colosso, é gigante pela própria natureza!”

 

Entrevista com Dan Berg
Dan Berg transita entre a erudição clássica e o pensamento contemporâneo

 

Entre a erudição clássica e o pensamento contemporâneo

 

Dan Berg, escritor, polímata e palestrante, transita entre a erudição clássica e o pensamento contemporâneo. Pesquisador e jornalista (MTE 84561/SP), membro da Ajoia Brasil – Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados, com mais de três décadas de experiência em Recursos Humanos, atua como preletor desde 1985 para os mais diversos segmentos.

É reconhecido por sua paixão pelas línguas antigas (nunca mortas!) – grego, hebraico e latim, ferramentas que fundamentam sua maestria como Professor de Hermenêutica e Retórica.

Seu repertório é sustentado por ser versado em Teologia e História de Israel, conectando saberes ancestrais às questões do tempo presente. Sua arquitetura acadêmica une a ciência à reflexão: é pós-graduado em Neurociências e pós-graduando em História, Ética e Filosofia, contando ainda com MBA em Inteligência Artificial e extensão universitária em Metodologia STEAM pelo British Council, Diplomacia Internacional e Direito Constitucional.

Como formador de líderes com visão sistêmica em Geopolítica, destaca-se nas funções de âncora, comentarista ou entrevistador a convite de canais e plataformas. Essa expertise e projeção midiática lhe favorecem a habilidade em network, construindo conexões de valor e fortalecendo redes estratégicas de cooperação.

No campo histórico, especializou-se em Genealogia pela Universidade Mackenzie de São Paulo – UATU, sendo um defensor da área muito antes da existência de cursos superiores no Brasil. Sua autoridade como orador e monarquista parlamentarista convicto lhe rendeu o privilégio de atuar como preletor ao lado de S.A.I.R. (Sua Alteza Imperial e Real) Dom Bertrand de Orleans e Bragança, por ocasião do Encontro Monárquico realizado no Teatro Municipal de Santo André.

Na esfera literária, é autor de Sociedade dos Poetas Vivos, e Império do Brazil com “z”, obra de referência, que conta com a chancela da Secretária da Educação do Estado de São Paulo em seu prefácio, e posfácio pela Coordenadora, em Portugal, do compêndio “A Língua” – Exaustivo Glossário Léxico Coloquial Luso-Afro Brasileiro.

Dan Berg também lidera o projeto internacional trilíngue Cânone Zait – Curadoria e Epopeia do Fruto da Oliveira – A Árvore da Vida – O Graal do Azeite na História das Civilizações. A obra, desenvolvida em coautoria com Ana Tassia Blazoudakis (Ilha de Creta), envolve incursões pelos povos banhados pelo Mediterrâneo, principal região difusora do “ouro líquido”, bem como o berço na Mesopotâmia.

Nela, além de um compêndio das obras mais consagradas mundialmente, contém ainda a apresentação autoral de todas as aplicações do azeite em várias eras e culturas, desde teologia e direito (funções sagradas e civis), gastronomia (alimentação), medicinal (excipiente ou veículo para substâncias com propriedades farmacológicas), cosmetologia (usos e costumes, estilo de vida, perfumes e embelezamento) até a esfera da energia (lâmpadas, combustível e iluminação).

Como pesquisador e estudioso incansável, dedica-se à escrita de ensaios, poesias, crônicas e parábolas; seus artigos sobre ciência, direito e geopolítica, pautados por fontes primárias e fidedignas, ganharam notoriedade entre os mais lidos em plataforma internacional. Sua liderança natural e engajamento social renderam-lhe títulos afetivos e lúdicos de amigos e seguidores: “Duke”, por sua convicção monárquica parlamentarista e também por descender do mesmo casal que deu origem à Família Imperial do Brazil; “Capitão”, por liderar grupos de comunicação que congregam militares -comandantes, oficiais ou soldados – e também por ser Membro Especial da Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU; e “Doutor” ou “Professor”, por ser incansável aprendiz e professor de Hermenêutica e Retórica, em paralelo à polimatia com missão de formar novos líderes.

Dan Berg compreende que títulos humanos são como livros na estante ou a gravata no pescoço: servem à visão do outro, mas carecem de valor intrínseco se não houver consistência interna e um propósito superior. Contrariando usos e costumes, em um mundo onde a maioria anseia por ser apresentada sob a pompa de seus títulos – e raramente como servos, Dan causa perplexidade em seus interlocutores ao apresentar-se, de modo lúdico, mas também sincero, como um carregador de malas, simples rabiscador de poesias ou formiguinha invisível de bastidores. Fundamentado na missão de multiplicar, ele adota como guia o exemplo paulino de ser, antes de tudo, um servo. Sua filosofia é selada pelos bordões latinos que explica e utiliza em suas preleções e entrevistas: «Consumatum Est!», «Sublata Causa, Tollitur Effectus!», «Carpe Diem, Frui Nocte!» e «Non Dvcor, Dvco!»

Momentos com Dan Berg, durante o lançamento da Ajoia Brasil, em BH:

Sobre Arilda Costa McClive

Arilda Costa McClive
Jornalista, fotógrafa e curadora de artes radicada nos EUA. Há 20 anos escreve sobre cultura, artes e entrevistas para o Brazilian Times Newspaper onde assina em coluna social. Em 2015 recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Brasileira de NY, por promover a cultura brasileira em nível de excelência. É associada fundadora da AJOIA Brasil.

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