O Brasil assiste, atônito, a uma avalanche de publicidade do governo federal ocupando os horários mais nobres das principais emissoras do País e justamente em ano eleitoral. A pergunta que ecoa nas ruas é simples: trata-se de informação institucional ou de campanha antecipada com dinheiro público?
Para se ter ideia da dimensão do problema, a verba da Secretaria de Comunicação Social (Secom) teria girado em torno de R$ 900 milhões em 2025 e agora saltado para R$ 3,5 bilhões previstos para 2026. Um aumento dessa magnitude não pode ser tratado como algo trivial. É um crescimento que exige explicação detalhada, transparência absoluta e controle rigoroso.
Enquanto isso, faltam recursos para áreas essenciais. Hospitais superlotados, filas intermináveis no SUS, escolas com infraestrutura precária, rodovias esburacadas, insegurança crescente. O cidadão comum sente no dia a dia o peso de um Estado que arrecada muito, mas entrega pouco. Ainda assim, sobra dinheiro para campanhas publicitárias ostensivas, viagens internacionais luxuosas, inaugurações de impacto duvidoso e uma narrativa cuidadosamente roteirizada para exaltar feitos que muitas vezes não resistem a uma análise técnica mais aprofundada.
Publicidade institucional é necessária e ninguém discute isso. O governo tem o dever de informar a população sobre políticas públicas, campanhas de vacinação, prazos e direitos. O que se questiona é o excesso, o timing e o volume. Em ano eleitoral, a linha entre informar e promover torna-se perigosamente tênue.
O princípio constitucional da impessoalidade existe justamente para evitar que a máquina pública seja utilizada como extensão de projetos políticos individuais ou partidários. Quando cifras bilionárias entram em cena, o risco de distorção democrática cresce proporcionalmente. Não é apenas uma questão contábil; é uma questão ética e institucional.
Se há rombos históricos nas contas públicas, se a dívida cresce, se a população é chamada a apertar o cinto, o mínimo que se espera é sobriedade do governo. O discurso de responsabilidade fiscal não combina com explosões orçamentárias em comunicação institucional.
Alguém precisa conter esse abuso, seja o Congresso, os órgãos de controle, o Tribunal de Contas ou, sobretudo, a própria sociedade. Democracia não combina com publicidade massiva financiada pelo contribuinte em período eleitoral.
O Brasil não pode naturalizar a ideia de que governar é fazer marketing. Quando a prioridade vira a imagem, e não a entrega, o país deixa de subir degraus e começa a descer a ladeira. E a sensação de muitos brasileiros é que já não estamos mais na descida, pois já chegamos ao térreo.
Enquanto isso o STF e seu “puxadinho TSE”, discutem e celebram 94 anos da justiça eleitoral, fundo especial de campanha, adiamento e suspensão de processos de inelegibilidade, código de conduta…tenham a santa paciência!
Ajoia Brasil Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados
